Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Em resposta a Renan, Temer afirma que País precisa de políticos à altura dos desafios

Vice-presidente rebateu críticas feitas pelo presidente do Congresso ao PMDB e a Dilma Rousseff

Isadora Peron, O Estado de S.Paulo

30 Abril 2015 | 17h58


Atualizado dia 01/05

Brasília - A entrada do vice-presidente Michel Temer na coordenação política do governo trouxe a crise política para dentro do PMDB. Nesta quinta-feira, 30, Temer reagiu publicamente às críticas que havia recebido horas antes do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) – o vice foi chamado indiretamente por Renan de “coordenador de RH (Recursos Humanos)” do governo federal –, e explicitou o clima de tensão que ronda o partido.

Temer divulgou uma nota na qual afirmava que não iria usar o seu cargo “para agredir autoridades de outros Poderes” e que o “País precisa, neste momento, de políticos à altura dos desafios que hão de ser enfrentados”. O texto do vice também dizia que ele não iria incentivar um debate que só poderia “desarmonizar as instituições e os setores sociais”. “Respeito institucional é a essência da atividade política, assim como a ética, a moral e a lisura”, afirmou o vice-presidente, sem citar o nome do colega de partido.

Desde o início de abril, Temer tem atuado como articulador político do Planalto. Uma das missões delegadas a ele pela presidente Dilma Rousseff, numa tentativa de apaziguar os ânimos do PMDB, é negociar com a base a distribuição de cargos do segundo e terceiro escalões. 

“Trabalho hoje com o objetivo de construir a estabilidade política e a harmonia ensejadoras da retomada do crescimento econômico em benefício do povo brasileiro. Se outros querem sair desta trilha, aviso que dela não sairei”, disse Temer. 

O ataque ao novo papel do vice foi feito por Renan sem que ele fosse questionado por jornalistas. O senador havia convocado uma entrevista para falar sobre um pacto que pretende lançar pela defesa do emprego. Como tem feito rotineiramente, criticou Dilma, mas desta vez também mirou em Temer. 

“Uma outra coisa que eu queria colocar é o seguinte. Eu tenho muita preocupação com a qualidade da coalizão de governo. O PMDB não pode transformar a coordenação política, sua participação no governo, em uma articulação de RH, para distribuir cargos e boquinhas. Eu acho que isso tudo faz parte de um passado do Brasil que nós temos que cada vez mais deixá-lo para trás”, disse Renan. 

Cargos. O senador também afirmou nesta quinta que não vai mais indicar cargos para o Executivo, pois isso contradiz seu apoio ao projeto de redução de ministérios e, segundo ele, enfraquece a independência do Senado. Questionado se pediria para que seus aliados deixassem os cargos que ocupam na esfera federal, desconversou. 
Para contornar a crise, o governo tem tentado agradar ao senador indicando outros aliados seus para cargos importantes, como a nomeação de Jorge Luiz Macedo Bastos para a diretoria-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Renan, porém, alega nos bastidores que a situação mudou, porque esses nomes foram sugeridos por ele em dezembro, antes do acirramento do clima com o Planalto.

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