Leonardo Prado/ Câmara dos Deputados
Leonardo Prado/ Câmara dos Deputados

Em resposta a Lula, Associação dos Procuradores diz que chefe do Executivo não 'manda prender'

O ex-presidente sabe muito bem que chefes do Executivo não 'mandam prender' ninguém em um Estado de direito. A justiça é que o faz, afirmou em nota José Robalinho Cavalcanti

Victor Aguiar, O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2017 | 14h23

O presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), José Robalinho Cavalcanti, rebateu as declarações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmando, em nota, que chefes do executivo não possuem poder para decretar a prisão de qualquer pessoa.

"Apenas lamentar a frase, que soa como ameaça, de que - supõe-se legitimamente que depois de mais uma vez eleito presidente - irá mandar prender os que investigam", disse Cavalcanti, referindo-se às declarações dadas por Lula na última sexta-feira, quando afirmou que, se eleito, "mandaria prender" quem espalhava mentiras sobre ele.

"Isto não irá deter qualquer agente de estado ou a marcha serena e impessoal da Justiça, mas não é uma declaração digna de quem foi por oito anos foi o supremo mandatário do país", afirmou o presidente da ANPR na nota, divulgada pelo portal G1. "O ex-presidente sabe muito bem que chefes do executivo não 'mandam prender' ninguém em um estado de direito. A justiça é que o faz."

O posicionamento de Lula foi emitido durante discurso na abertura da etapa paulista do 6º Congresso Nacional do PT, na noite da última sexta-feira. Na ocasião, o petista voltou a reclamar da cobertura da imprensa no caso da Lava Jato, além de reafirmar que a operação já possui uma "tese pronta" que o coloca como líder de uma organização criminosa.

Quanto a essa última acusação, Cavalcanti afirma que as investigações e processo da Lava Jato são "sérias, técnicas e impessoais", argumentando que o discurso de Lula é semelhante ao de dirigentes de outros partidos políticos que também são investigados pela Operação.

O presidente da ANPR também afirma que a tese de que há uma "grande conspiração universal" contra Lula não se sustenta em fatos. "A ampla defesa permite todos os argumentos, é direito de qualquer réu alegar o que quiser. A justiça - independente e técnica - decidirá", diz Cavalcanti, depois de enfatizar que, para a defesa do ex-presidente, "todos mentem" e apenas Lula "falaria a verdade".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.