Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Em resposta a crítica, Eduardo questiona Janaína sobre apoio a opositor de Bolsonaro

Deputado rebate críticas de que, após ajudar a aprovar medida no Congresso, apoia os atos marcados para o dia 15

Thaís Barcellos e Paula Reverbel, O Estado de S.Paulo

01 de março de 2020 | 13h25
Atualizado 01 de março de 2020 | 21h49

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) rebateu, na noite de sábado, críticas feitas pela deputada estadual de São Paulo Janaina Paschoal (PSL) aos parlamentares que, como ele, votaram pelo Orçamento impositivo e agora são contra proposta semelhante. Em vídeo postado na sua conta do Twitter, Eduardo atacou o voto de Janaina na escolha do líder do PSL na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp): Rodrigo Gambale venceu Castello Branco por 8 votos – incluindo o de Janaina – contra 7. 

“Agora, amada Janaina, explica para a gente por que você votou a favor do líder do (grupo do) Bozzella para o PSL na Alesp, já que todo mundo sabe muito bem a fama do Bozzella e o que ele quer para o nosso Brasil?”, disse Eduardo, em alusão ao deputado Júnior Bozzella, presidente do PSL de São Paulo e aliado do deputado Luciano Bivar, presidente nacional da legenda, e com quem os Bolsonaro romperam. O vídeo de Eduardo não dá maiores explicações sobre Bozzella, limitando-se a informar que ele faz oposição a Bolsonaro.

Apesar de apoiar o presidente, de quem chegou a ser cotada para ser vice, Janaina tem se mantido crítica à gestão e está cada vez mais afastada do grupo bolsonarista. No sábado à tarde, a deputada publicou uma série de mensagens no Twitter criticando a atuação de Eduardo na votação que aprovou o Orçamento impositivo. “Ele votou sim à PEC que tornou as emendas de bancada (coletivas) impositivas (9 bilhões, além das individuais). Ele faltou na votação simbólica do substitutivo que toma do pai os 30 bilhões. Ele era o líder!”, escreveu na rede social.

Em entrevista à Coluna do Estadão publicada neste domingo, Janaina elevou as críticas e afirmou que Eduardo “mina todo mundo que dá sustentação ao pai” com o objetivo de ser o candidato ao Palácio do Planalto em 2022. Pela Constituição, filhos de presidentes são inelegíveis, exceto em caso de reeleição para o mesmo cargo. A teoria de Janaina, que é advogada constitucionalista, é a de que, se Bolsonaro não conseguir terminar o mandato, Eduardo poderá tentar a Presidência.

Procurada neste domingo, Janaina afirmou que Gambale era candidato desde o ano passado. “Ele retirou a candidatura no primeiro ano, em benefício de Gil (Diniz), que foi assessor de Eduardo e ainda é seu braço direito. Não seria justo sacrificá-lo novamente.” De acordo com a deputada, Bozzella não pediu voto para Gambale.

“Com certeza o que eu quero para o Brasil não é a mesma coisa que o Eduardo quer”, reagiu Bozzella em entrevista ao Estado. “O sonho do Eduardo é o ‘sonho americano’. Sabemos o quanto ele lutou pra ser embaixador e iria renunciar aos quase 2 milhões de votos”, disse.

No vídeo, Eduardo negou que esteja se contradizendo na questão do Orçamento impositivo, motivo do atual atrito entre Executivo e Legislativo e pauta das manifestações convocadas por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro para o dia 15 de março.

Eduardo reconhece, no vídeo, que votou a favor das emendas impositivas de bancada no ano passado, mas argumenta que a discussão atual, no âmbito da Lei de Diretrizes Orçamentárias, é diferente. E afirma que é contrário à concentração de poder de decisão sobre o montante de emendas nas mãos do relator do Orçamento, o deputado Domingos Neto (PSD-CE).

“Agora, a LDO, que é outra matéria, totalmente diferente, está dando R$ 30 bilhões para uma única pessoa, que é o relator do Orçamento. E se o presidente não executá-la em 90 dias, ele incorre em crime de responsabilidade”, disse.

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