Em resposta a Cassel, Kátia Abreu nega perseguição ao MST

Senadora da bancada ruralista adiantou que oposição deve traçar estratégia antes de ingrrssar com CPI

Célia Froufe, da Agência Estado,

13 de outubro de 2009 | 14h46

A presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu (DEM-TO), negou nesta terça-feira, 13, que as bancadas ruralistas do Senado e da Câmara estejam perseguindo o MST ao tentar instalar, pela segunda vez, uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar supostas irregularidades em contratos com o governo. A afirmação de uma possível perseguição teria partido do ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, durante audiência pública no Congresso realizada na manhã desta terça.

 

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"Não estamos atrás de perseguir ninguém", afirmou. Segundo a senadora, há uma denúncia de desvio de dinheiro público e é obrigação do Congresso investigá-la.

 

"Ele (o ministro) não estaria tão empenhado em tentar evitar a instalação da CPMI se quisesse mesmo saber o que está acontecendo", disse a senadora. "Cassel estaria do nosso lado e não forçando a barra para a CPMI não sair", acrescentou, argumentando que a primeira tentativa de instalar a comissão não surtiu efeito por conta da retirada de assinatura de parlamentares da base governista, que teriam sido pressionados a agir assim.

 

Para evitar que a CPMI não emperre novamente, os parlamentares montarão uma estratégia ainda na tarde desta terça. "Não devemos protocolar o pedido de criação da CPMI hoje. Queremos assegurar o comprometimento do Sarney (presidente do Senado, José Sarney) com a comissão", afirmou.

 

Segundo fontes consultadas pela Agência Estado, uma estratégia dos deputados e senadores empenhados em criar a CPMI seria a de obstruir a pauta de votação. A intenção é a de manter em sigilo até o momento considerado adequado os nomes dos parlamentares que já assinaram o requerimento. De acordo com Kátia, há um número maior de rubricas do que a exigida pelas Casas.

 

Comparação com as Farc

 

A senadora também comentou uma reportagem recém publicada no Estado que revelou a criação de um novo foco de conflito agrário no Centro-Oeste Paulista.

 

Na avaliação de Kátia Abreu, a região de Iaras está "bastante inflamada" pelas ações do MST.

 

"O curioso é que o MST estaria atrás de terras improdutivas e, ao que me consta, as terras invadidas, como a da Cutrale (em Bauru), não são improdutivas. Ao contrário", argumentou.

 

A senadora voltou a condenar o MST pela derrubada de parte do pomar da companhia de sucos, declarando que suas atuações no Brasil são semelhantes às das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Para ela, as invasões produzidas pelo movimento são injustificáveis. "O MST seria as Farc do Brasil", comparou.

 

A presidente da CNA avaliou também que as ações do movimento vêm causando prejuízo não apenas para o setor privado, mas também para o segmento público, ao invadir propriedades e prédios do governo. "A atuação do MST na Cutrale foi como se eles dissessem: 'eu tenho as costas quentes'", voltou a declarar.

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