Em resolução, PT acusa tucanos de 'má fé' na polêmica sobre privatização

Texto afirma que 'não existe nada em comum' entre modelos de cessão de Dilma e de FHC

Vera Rosa, de O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2012 | 22h47

BRASÍLIA - O PT apagou de sua última resolução política a referência à "apressada voz tucana" do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso - que definiu os leilões dos aeroportos como "desmistificação do demônio privatista" -, mas fez questão de marcar diferenças com o PSDB em relação às privatizações. Divulgada nesta quinta-feira, 16, a versão definitiva do documento que passou pelo crivo do Diretório Nacional petista há uma semana diz agora que os tucanos usam de "má fé" quando citam semelhanças entre os modelos econômicos dos governos Fernando Henrique e Dilma Rousseff.

 

"Entre as concessões do atual governo e a privataria tucana não existe nada em comum", destaca um trecho da resolução. "Na era tucana, empresas públicas, como a Vale do Rio Doce e tantas outras, foram vendidas a preços irrisórios mediante processos questionáveis. No caso atual, a operação de alguns aeroportos está sendo concedida, com toda transparência, por 20 ou 30 anos, ficando o poder público como sócio da nova empresa operadora, através dos 49% do capital da Infraero."

 

Com cinco páginas, o documento aprovado pela cúpula petista teve 15 emendas em relação ao texto original. O parágrafo que menciona a queda na taxa básica de juros - hoje em 10,5% ao ano - como "fato importante" do ano passado recebeu um acréscimo em tom de recado aos banqueiros. "O PT considera que há condições para acelerar de forma sustentável a redução da taxa de juros, redução que se faz necessária também no setor privado", diz o texto.

 

O capítulo que trata das alianças para as eleições municipais deste ano também foi reforçado. A resolução observa que o 4.º Congresso do PT, no ano passado, reafirmou o papel do partido como sendo "de esquerda" e "principal dirigente do Executivo nacional".

 

Prefeituras. É nesse contexto que o PT dá prioridade a candidaturas próprias para as prefeituras, mas ressalva que a melhor tática eleitoral pode ser a aliança com outra legenda da base de apoio do governo Dilma na cabeça da chapa. Essa estratégia tende a ocorrer em muitas capitais, como Belo Horizonte (MG), onde o PT deve avalizar a campanha pela reeleição do prefeito Márcio Lacerda (PSB). "(...) O PT prepara-se para as eleições de 2012 com o objetivo de consolidar seu crescimento nacional e de ampliar a base política de apoio ao governo da presidente Dilma", afirma a resolução política.

 

Depois que o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), entrou em rota de colisão com o Palácio do Planalto por segurar a votação do projeto que cria o Fundo de Previdência Complementar dos Servidores (Funpresp), o PT também decidiu encaixar a defesa da proposta em seu documento. Na semana passada, Maia não conseguiu emplacar um apadrinhado na diretoria do Banco do Brasil e suspendeu sessão da Câmara sem votar o Funpresp. A atitude foi interpretada pelo Planalto como represália. Agora, a votação no plenário da Câmara está marcada para o próximo dia 28.

 

"A aprovação do Funpresp (...) é um tema destacado da agenda, que possibilitará um sistema previdenciário mais sustentável e mais justo, garantindo ao Orçamento Nacional, no futuro, um espaço maior para os investimentos em infraestrutura e políticas públicas", diz o documento petista.

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