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Capa do 'New York Times' diz que escândalo no Brasil eleva temor de turbulência

Jornal americano diz que apenas alguns dias atrás, Brasil parecia estar em processo de retomada de atividade

Ricardo Leopoldo, correspondente, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2017 | 13h44

NOVA YORK- O jornal 'The New York Times' traz a segunda reportagem seguida na qual retrata a crise política no País, com destaque na primeira página, cujo título é "Escândalo no Brasil eleva temores de retorno de turbulência."

Segundo a reportagem, apenas alguns dias atrás o Brasil parecia estar num processo de retomada da atividade. As ações de empresas subiam bem, havia celebração no mercado financeiro, parlamentares estavam trabalhando para aprovar reformas para cortar despesas e a inflação estava sob controle.

"O Brasil, aparentemente, estava finalmente em recuperação", apontou o correspondente Simon Romero. "Mas em questão de horas, tudo começou a desmoronar." De acordo com o jornal, o presidente Michel Temer, que já esteve envolvido em escândalos, subitamente foi "emaranhado por um novo, acusado de receber milhões de dólares em pagamentos ilícitos e pego numa gravação discutindo como obstruir" investigações contra corrupção.

As alegações incluem o testemunho do empresário Joesley Batista, sócio da J&F, holding que controla a JBS, que gravou um diálogo com Temer em março na qual o presidente teria sugerido que era necessário manter um esquema de suborno para comprar o silêncio do ex-deputado federal Eduardo Cunha.

Tais fatos deflagraram pedidos de renuncia do presidente Temer, o que provocou impactos históricos nos mercados de dólar, ações e de juros futuros na quinta-feira. Para o 'New York Times', tal movimento provocou temores de agentes econômicos de que o Brasil poderia mergulhar numa nova crise política e financeira de imensas proporções.

Segundo o 'New York Times', o testemunho de Joesley Batista, "liberado pelo Supremo Tribunal Federal, também descreveu dezenas de milhões de dólares em pagamentos ilícitos em contas no exterior com intenções de beneficiar" a ex-presidente Dilma Rousseff, e seu mentor, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Ambos negaram qualquer malfeito"

A reportagem aponta que outros políticos importantes do País, como os presidentes da Câmara e do Senado, também estão sendo investigados por suspeitas de terem participado de casos de corrupção, o que gera grande preocupação sobre "a liderança e o futuro da nação."

O 'The New York Times' também relatou editorial do jornal O Globo no qual defende a renúncia de Temer, pois, do contrário, o Brasil poderia ingressar numa crise política ainda pior que atual.

Para o jornal americano, contudo, se Temer decidir deixar o cargo, poderá "ir a julgamento e condenado", como apontou o professor Daniel Vargas, professor de direito da Fundação Getulio Vargas.

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