Em recomeço de campanha, Dilma evita falar sobre aborto e crise com evangélicos

No Rio, ao ser questionada sobre assunto, a candidata do PT não respondeu e segui na carreata

Alfredo Junqueira, de O Estado de S.Paulo

06 de outubro de 2010 | 18h45

RIO - A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, evitou falar sobre aborto e a crise com parte do eleitorado evangélico em seu primeiro evento de campanha neste segundo turno. Antes de seguir em carreata pelas ruas de Duque de Caxias, principal cidade da Baixada Fluminense, na Região Metropolitana do Rio, a petista participou de rápida coletiva de imprensa, na qual prometeu investimentos em saneamento, implantação de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) na área e até redução dos juros básicos da economia.

 

Ao ser questionada sobre o assunto que marcou a reta final do primeiro turno da campanha, a petista não respondeu e iniciou a carreata. Dilma obteve ampla vantagem em Caxias no primeiro turno, com 54,38% dos votos válidos. Marina Silva (PV) também obteve boa votação na cidade - que tem forte presença de evangélicos. Foi escolhida por 27,91% dos eleitores locais, muito à frente de José Serra (PSDB), que, apesar de contar com o apoio do prefeito local, José Camilo Zito (PSDB), e de ter visitado a cidade duas vezes durante o primeiro turno, recebeu apenas 15,81% dos votos válidos.

 

Seguindo a orientação dos aliados, Dilma procurou se aproximar dos eleitores. As barreiras que normalmente são colocadas nos locais em que ela dá entrevista foram retiradas. O púlpito, onde são colocados os microfones e gravadores, até foi instalado no local, mas desapareceu minutos antes da candidata chegar. A petista, como sugerido pelo seu comando de campanha, aproximou-se dos jornalistas e foi cercada por dezenas de pessoas. Ela estava sorridente e cumprimentou eleitores e políticos com beijos e tapinhas nas costas.

 

"Eu quero começar por aqui (Baixada Fluminense) porque nós vamos priorizar duas questões muito importantes: tratamento de água e esgotamento sanitário", anunciou Dilma. "E aqui nós fizemos um esforço muito grande, porque durante muitos anos a Baixada ficou sem os investimentos que beneficiariam a vida concreta das pessoas", explicou a petista.

 

Dilma estava acompanhada do governador reeleito Sérgio Cabral Filho (PMDB) e os dois candidatos ao Senado que venceram a eleição do Rio, Lindberg Farias (PT) e Marcelo Crivella (PRB) - este também reeleito e importante interlocutor da candidata junto ao eleitorado evangélico, uma vez que é bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus e sobrinho de seu fundador, Edir Macedo.

 

Ao lado do governador, a petista fez promessa com o principal programa do peemedebista na área de Segurança Pública. Disse que, se eleita, levaria para as cidades da região as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). O programa consiste na ocupação permanente de comunidade anteriormente dominadas por quadrilhas de traficante armados e conta com 12 unidades na capital.

 

"Nós iremos aqui levar para a Baixada as Unidades de Polícia Pacificadora, que estão dando tão certo lá no Rio. Trazer para cá significa melhorias não só nas condições de vida. Porque o que interessa é a vida das pessoas e a segurança é uma questão central", disse Dilma.

 

A carreata da petista foi acompanhada por dezenas de políticos de várias regiões do Rio. Muitos eleitos deputados estaduais e federais no domingo. O tom dos aliados era de dedicação total à campanha de Dilma no segundo turno.

 

O trajeto, que previa passagens pelas cidades de Belford Roxo e São João de Meriti, foi interrompido ainda em Caxias, depois de pouco mais de uma hora do início do evento.

 

Para tentar compensar a ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, um correligionário participou da carreata com um carro de som na qual um discurso do líder máximo do PT era repetido insistentemente. "Votar na Dilma é votar em mim. Com a certeza de um governo ainda melhor. Ela é a certeza do Brasil continuar mudando".

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