Em Recife, Grito faz declaração de solidariedade ao líder do MST

Com ciranda, maracatu e festa, representantes de movimentos sociais, sindicais e associações comunitárias integraram a 12.ª edição do Grito dos Excluídos no Recife, que tomou conta do centro da cidade, nesta quinta-feira, 7, e alijou para o fim da passeata os partidos políticos e candidatos em campanha, com suas bandeiras e cartazes. O Grito teve início às 11h45, logo após o término da parada militar, com um minuto de silêncio pelas vítimas do Iraque e do Líbano, e a declaração de solidariedade ao líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-terra (MST), Jaime Amorim, que teve novo anúncio de prisão preventiva pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco na noite de quarta-feira, 6. "O companheiro Amorim sofre perseguição política no Estado", afirmou o locutor, em cima de um trio elétrico, ao defender a construção de "uma nova sociedade pautada pela ética" e de repúdio ao imperialismo norte-americano."O capitalismo está destruindo o planeta" e "A elite não admite, mas o povo quer de novo Lula presidente" expressos em faixas e cartazes, misturavam-se a reivindicações de mulheres, negros, gays e até um "excluído da Primeira Divisão", torcedor do Santa Cruz. Carroceiros e catadores de lixo também participaram do desfile, que estreou novo roteiro, o mesmo do desfile militar, pela Avenida Conde da Boa Vista. Em anos anteriores, o Grito dos Excluídos ocorria em um itinerário alternativo. A passeata ocupou um espaço de cerca de 300 metros e percorreu cerca de um 1,5 quilômetro, da Praça Osvaldo Cruz até o Pátio do Carmo, onde se encerrou. Na ala dos partidos e candidatos, destacava-se a militância do candidato ao governo do Estado, Eduardo Campos (PSB), que levou trio elétrico. Ao lado da mãe Ana Arraes, candidata a deputada federal, Eduardo Campos esteve rapidamente na concentração do evento. PSOL, PCO, PCdoB, PCR e PT distribuíram panfletos de candidatos.MSTIntegrante da direção estadual do MST, Joba Alves anunciou, durante o Grito dos Excluídos, que na próxima segunda-feira advogados do movimento entrarão com pedido de habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça, visando derrubar a decisão do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) de conceder novo pedido de prisão preventiva de Amorim.Em Roraima, onde ajuda a organizar o MST, que realizou a terceira ocupação de terra naquele Estado nesta terça-feira, Amorim é esperado no Recife no início da semana. Ele foi preso preventivamente no dia 22 de agosto por decisão do juiz Joaquim Lafayete Neto, da 5.ª Vara Criminal do Recife, onde responde a processo por incitação ao crime, desacato e dano ao patrimônio público, devido à sua participação em um protesto contra o governo Bush, em novembro do ano passado, que culminou com pedradas ao prédio do consulado norte-americano no Recife.Amorim passou uma semana preso no Centro de Triagem Professor Everardo Luna (Cotel), no município metropolitano de Abreu e Lima. A 3.ª Câmara Criminal do TJPE, que concedeu o novo pedido de prisão preventiva - ao julgar o mérito - já havia negado habeas corpus, quando ele estava preso. Sua libertação, no dia 28 de agosto, se deu depois de recurso ao Superior Tribunal de Justiça. O ministro Nilson Naves, do STJ, considerou ilegal sua prisão.

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