Ricardo Araújo/Estadão
Ricardo Araújo/Estadão

Em quase 8 meses, Doria ficou 47 dias fora de São Paulo

Das 23 viagens realizadas pelo prefeito, seis foram para o exterior

Ana Paula Niederauer e Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

20 Agosto 2017 | 05h00

O prefeito paulistano João Doria (PSDB) ficou, ao todo, 47 dias fora de São Paulo em quase oito meses de gestão, média de uma saída a cada cinco dias. Foram 23 viagens, sendo seis para o exterior. 

Doria começou seu roteiro em fevereiro com um giro pelos Emirados Árabes e Catar para divulgar seu plano de concessões e privatizações, que inclui o Sambódromo do Anhembi e o Autódromo de Interlagos. 

Também foi à Coreia do Sul e à China em busca de investidores, além de ter visitado o papa Francisco em Roma, em abril, e participado de encontros com prefeitos, empresários e reunião com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) nos Estados Unidos. 

Nas últimas semanas, Doria centrou sua agenda em viagens pelo Brasil. Passou por seis capitais em 15 dias, em eventos de homenagens a ele, como títulos de cidadão soteropolitano e natalense, e encontro com presidente interino de seu partido, o senador Tasso Jereissati  (PSDB-CE).

No período, Doria passou a receber críticas de adversários, permeadas com os relatos de problemas na cidade, como semáforos desligados, buracos de rua e a Cracolândia.

Presidente da Associação Brasileira de Consultores Políticos, Carlos Manhanelli afirma que Doria tem seguido a cartilha de um candidato. "A máxima da campanha é que só se vota em quem se conhece. Doria é conhecido em São Paulo mas pouco fora dela. Está alavancando seu nome nacionalmente", disse.

Para Manhanelli, as viagens de Doria não é prejudicial para a imagem do prefeito junto aos paulistanos. "Ter um possível candidato a presidente da República mexe com o ego dos paulistanos. Desde que os secretários nomeados por ele trabalhem para resolver os problemas da cidade, isso não deve causar problema a ele. O prefeito precisa ter uma visão macro da cidade. Quem põe a mão na massa são seus subordinados", avalia.

Em nota, a assessoria de Doria afirmou que o prefeito "trabalha, em média, 16 horas por dia, inclusive aos fins de semana" e que "durante as viagens, muitas das quais para atrair investimentos para a cidade ou conhecer experiências de gestão que podem ser aproveitadas em São Paulo, o prefeito mantém-se a par e toma decisões a respeito dos assuntos da administração municipal por meio eletrônico".

Além disso, afirma a assessoria, "o prefeito, como gestor eficiente, delega temas aos secretários e presidentes de empresas municipais, dos quais cobra metas e resultados". Ainda segundo a gestão Doria, "todas as viagens ocorreram sem gastos de recursos públicos".

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