Em protesto por agilidade de reforma agrária, MST ocupa Incra em Teodoro Sampaio (SP)

Os sem-terra levaram colchões e mantimentos para a sede e não deram prazo para deixarem o local

Sandro Villar, de O Estado de S.Paulo,

20 de janeiro de 2011 | 17h48

PRESIDENTE PRUDENTE - Cerca de 300 militantes do Movimento dos Sem-Terra (MST), incluindo mulheres e crianças, ocuparam nesta quinta-feira, 20, o escritório do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Teodoro Sampaio, extremo oeste paulista. A liberação de créditos para os assentados e a demissão do superintendente do Incra em São Paulo, Raimundo Pires, são algumas das exigências do grupo, que não tem prazo para deixar a sede.

 

Prevendo uma estada demorada, os sem-terra levaram colchões e mantimentos. "Trouxemos arroz, feijão, panelas e cada um trouxe o seu colchão. Vamos dormir e tomar banho aqui, o Incra tem ótimos chuveiros e boa estrutura, estrutura do povo", ironizou Maria Aparecida Gonçalves, de 41 anos, coordenadora regional do MST.

 

Ela disse que o movimento quer negociar direto com o governo federal. "Vamos negociar direto com quem manda, com o Pires não dá para negociar", afirmou, explicando que uma pauta estadual será enviada a Brasília. "Esperamos uma resposta do governo federal, só sairemos daqui com uma resposta", avisou.

 

Foi que o também afirmou Ricardo Barbosa, de 28 anos, dirigente estadual do MST, ligado à direção nacional do movimento. Ele criticou o governo federal e o governo paulista, tachando ambos de "omissos": "O governo federal abandonou a reforma agrária, não se falou da reforma agrária na eleição, ela está paralisada e só em São Paulo há três mil famílias esperando assentamento. Nem o governo do Estado, que vira as costas para as terras devolutas, dá a devida atenção e ambos são omissos". O dirigente acusou o superintendente regional do Incra de falta de vontade política e falta de compromisso.

 

Procurado pelo Estado, Pires disse que "prefere não se manifestar" sobre as acusações, segundo a Assessoria de Imprensa do órgão. Cerca de dez fazendas foram ocupadas pelo MST nacional em várias regiões paulistas. Já no Pontal do Paranapanema o movimento não descarta invadir a Fazenda Nazaré, de 4,8 mil hectares, em Marabá Paulista. Ao menos 300 pessoas estão acampadas perto da fazenda, que pertence ao ex-prefeito de Presidente Prudente, Agripino Lima.

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