Em protesto, oposição vai obstruir sessões do Senado

PSDB e DEM dizem que caso Renan prejudica as atividades legislativas

Cida Fontes, do Estadão

10 de julho de 2007 | 17h55

O PSDB e o DEM (ex-PFL) decidiram obstruir as sessões do Senado como forma de manifestar sua oposição à permanência do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) no cargo de presidente da Casa apesar de ser acusado de quebra do decoro parlamentar. Renan tem-se esforçado para dar a entender que o clima na Casa é de normalidade dos trabalhos, mas os oposicionistas entendem que a crise é profunda e já começa a prejudicar o andamento das atividades legislativas."Normal não está. Existe uma crise profunda e, dificilmente será votada alguma coisa com essa tensão", afirmou o presidente do PSDB, senador Tasso Jereisatti (CE). Na avaliação de Tasso,Renan teria exorbitado de suas funções, ao apresentar duas petições ao Conselho de Ética do Senado uma questionando os limites da investigação e outra contra a decisão do colegiado de arquivar o relatório do senador Epitácio Cafeteira (PTB), ex-relator do processo, que propunha o arquivamento da representação em que Renan é acusado de pagar parte de suas despesas pessoais com dinheiro de um lobista de uma empreiteira.Em plenário, o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), advertiu Renan pelo fato de ter tomado essas medidas na condição de presidente do Senado. No entender de Virgílio,o presidente do Senado poderia fazer esses questionamentos na condição de simples senador. "Ele está agindo contra uma decisão do conselho, que é do Senado. Ou seja, Renan está agindo contra o próprio Senado", disse Tasso.O líder do DEM, senador José Agripino (RN), disse que está chegando a hora de o Senado mostrar quem vale mais, "se é a voz do Plenário, ou a do presidente da Casa." "A questão do PSDB não é condená-lo à Torquemada. O PSDB quer um julgamento justo, limpo e adequado e teme que a confusão entre a cadeira (de presidente do Senado) e a situação turve as investigações", disse o líder tucano. Virgílio também rechaçou a figura do capitão sugerida por Renan. "Não gosto da figura dos capitães. Não me candidato a tanto, mas me sinto limpo", disse. Virgílio disse que não era agradável a sua posição, mas que, como líder do PSDB, continuará defendendo a posição do partido.Resposta Em resposta ao PSDB , o presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB-AL), fez nesta terça-feira, o seu mais incisivo discurso no plenário da Casa. "Se quiserem minha cadeira, se for um desejo político, vão ter que sujar as mãos. Vão ter que dizer porque estão tirando o presidente do Senado", disse Renan. O presidente do Senado desafiou aqueles que defendem o seu afastamento da Presidência. "Aquele que quiser ser capitão, vai ter que ser capitão mesmo e sujar as mãos. Vai ter que colocar um forca ou uma fogueira lá fora e queimar o presidente do Senado", disse Renan. Ele afirmou que não irá permitir que os seus direitos sejam violados e garantiu que não há dinheiro público envolvido no pagamento da pensão à jornalista Monica Veloso, com que tem uma filha. "Todo dinheiro foi pago por mim. Não tenho o que temer. Nem aqui e nem no Conselho de Ética", disse.

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