Amanda Perobelli/Estadão
Amanda Perobelli/Estadão

Em protesto esvaziado em São Paulo, grupos poupam Temer e rechaçam lista fechada

Público é o menor de todos os atos que aconteceram na Avenida Paulista entre 2015 e 2016

Pedro Venceslau e Valmar Hupsel Filho, O Estado de S.Paulo

26 Março 2017 | 16h41
Atualizado 26 Março 2017 | 22h10

Os principais grupos que se mobilizaram em 2015 e no ano passado pelo impeachment da presidente cassada Dilma Rousseff e contra o PT voltaram neste domingo, 26, às ruas – a defesa da Lava Jato, o fim do foro privilegiado e a reforma política estavam na pauta –, mas viram o público diminuir não só na manifestação em São Paulo, como em outras capitais do País.

Em março de 2015, protesto contra Dilma reuniu 1 milhão de pessoas na Avenida Paulista, segundo a Polícia Militar. Há um ano, ato pelo afastamento da petista atraiu, também conforme números oficiais, 1,4 milhão. Neste domingo, a PM não fez estimativa de público nem os organizadores Movimento Brasil Livre (MBL) e Vem Pra Rua. Apenas o grupo NasRuas informou que a manifestação na Paulista recebeu 10 mil pessoas.

No trecho de maior concentração, na frente do Masp, o público não chegava a ocupar um quarteirão. O ato começou por volta das 14h e terminou antes das 19h. O líder do grupo Acorda Brasil, Luiz Philippe de Orleans e Bragança, minimizou a baixa adesão. “Ter 10 mil pessoas não é derrota. O tema agora é mais técnico”, disse ao Estado, em referência ao foro privilegiado – prerrogativa de políticos serem julgados no âmbito de ações criminais em instâncias superiores da Justiça – e ao voto em lista fechada, ponto da reforma política em discussão.

Líder do Vem Pra Rua, Rogério Chequer disse que a pauta, agora, é mais complexa. “A pauta não é binária como o Fora, Dilma e o impeachment.”

Os políticos, que no ano passado disputaram os microfones nos carros de som, não apareceram. Entre os poucos que se arriscaram no ato estavam o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) e o deputado Major Olímpio (SD-SP). Apesar de críticas pontuais, o presidente Michel Temer (PMDB) foi poupado. 

Alvos. O ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, foi alvo de protestos. “Gilmar Mendes é uma vergonha nacional. Não está fazendo papel de juiz, mas de político”, disse o advogado Luiz Flávio Gomes, líder do grupo Quero um Brasil Ético. Gomes citou ainda o senador Aécio Neves (PSDB-MG), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Temer. “Queremos todos os ladrões fora.”

O jurista Miguel Reale Júnior, um dos autores do pedido de impeachment de Dilma, fez um discurso no carro do Vem Pra Rua. “Vamos apagar tudo para a preservar a política? Querem nos jogar na lama. Anistia e traição. Parlamentares mancomunados com grandes empresas estão gestando um acordo em Brasília.” A jurista Janaina Paschoal, outra autora do impeachment, também foi à Paulista.

Os presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Eunício Oliveira (PMDB-CE), respectivamente, foram criticados por, segundo os manifestantes, atuarem para promover um “acordo de salvação” de políticos da Lava Jato.

Interior. A baixa adesão também marcou atos no interior paulista. Em Sorocaba, a manifestação reuniu 80 pessoas, segundo a PM, no Parque Campolim. De acordo com Ítalo Moreira, do MBL, o Vem Pra Rua preferiu convocar militantes para a manifestação na Paulista. Em Ribeirão Preto, o ato pediu o fim do foro. A manifestação reuniu 1 mil pessoas, segundo a PM. Também houve atos em Piracicaba, Franca, São Carlos, Jundiaí, Araçatuba e Votuporanga. / COLABOROU JOSÉ MARIA TOMAZELA

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