Em protesto, caciques tomam posto da Funai

Sob gritos de ''''abaixo a fome'''', grupo de 50 guaranis faz oito reféns

O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2002 | 00h00

A índia Francieli de Souza, de 2 anos, morreu duas horas depois que um grupo de 50 índios guaranis invadiu o posto da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Dourados (MS) gritando ''''abaixo a fome''''. Moradores das aldeias Bororó e Jaguapiru, dentro da Reserva Indígena de Dourados, eles fizeram oito reféns, logo pela manhã, e deixaram o local no início da noite.A desocupação aconteceu por volta de 19 horas, depois que libertaram os reféns, entre eles três professores de artesanato e quatro funcionários do setor de segurança da reserva.O cacique Lucas Paiva, um dos líderes da invasão, explicou que a tribo está passando fome porque acreditou no programa que fornece cestas básicas para os moradores da reserva. Paiva afirmou que as crianças indígenas das duas aldeias estão ''''chupando cana para enganar a fome''''. O cacique disse também que há três meses as cestas de alimentos não são entregues.O coordenador da Funai em Dourados, Eliezer Cardoso, informou que até o próximo dia 15 as entregas de cestas básicas para os índios de todo o Estado serão normalizadas. ''''A Funai ainda não recebeu o número suficiente de cestas de alimentos para a distribuição.''''Segundo o cacique Luciano Arévalo de Oliveira, os índios que trabalham no corte de cana têm de onde tirar o sustento da família, o que não acontece com os quase 12 mil índios que vivem na reserva de Dourados. ''''Eles precisam das cestas de alimentos.'''' J.N.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.