Em posse, Múcio diz querer 'diálogo franco' com oposição

Novo ministro das Relações Institucionais substitui Mares Guia, denunciado no esquema do mensalão mineiro

26 de novembro de 2007 | 19h58

Ao tomar posse nesta segunda-feira, 26, o ministro das Relações Institucionais José Múcio disse que espera manter um diálogo franco com a oposição e que assume o lugar do "grande amigo" Walfrido dos Mares Guia, que deixou o cargo "por motivos pessoais".  Veja também: Lula aproveita posse de ministro e faz elogios ao Congresso  "Com líderes da oposição, espero um diálogo franco, como o que eu já vinha mantendo. Neste momento, presidente, assumo o lugar de um grande amigo, que deixou o ministério por motivos pessoais". Mares Guia renunciou após denúncia do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, que o acusa de participar do mensalão mineiro.  Durante a cerimônia, que contou com a partipação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de  líderes do governo, como Romero Jucá, do Senado e Roseana Sarney , do Congresso, Múcio disse também que irá dar prioridade para  investimentos e infra-estrutura, como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e a  reforma tributária.  Perfil Afável, educado, jeito de bom moço, o novo ministro das Relações Institucionais, José Múcio Queiroz Monteiro, não é de levantar a voz nem de se meter em intrigas. De família de usineiros - setor sucroalcooleiro -, que serviu aos governos militares, ele ingressou na vida pública como prefeito de Rio Formoso, município da zona da mata onde nasceu há 59 anos, pelo PDS. Sua trajetória política, no entanto, está intimamente ligada ao ex-governador Miguel Arraes, embora atuassem em campos frontalmente opostos. Em 1986 eles estiveram frente a frente. José Múcio, com 36 anos, como o representante do atraso, dos usineiros pernambucanos, carregando o estigma da exploração e escravidão do trabalhador rural. Arraes como um mito, pai dos pobres, que voltava do exílio na Argélia disposto a ser colocado, pelos braços do povo, de volta ao posto que lhe foi arrancado pela ditadura militar. José Múcio, então desconhecido, foi apresentado a todo o Estado. Perdeu de Arraes por meio milhão de votos, mas teve mais de um milhão dos votos anti-arraesistas e desde 1991 nunca perdeu uma eleição para deputado federal. Ele próprio credita o seu sucesso a Arraes, morto em agosto de 2005, aos 88 anos, e com quem se dava bem. José Múcio permaneceu no PDS, depois PFL, até 2003, quando teve passagem pelo PSDB. Depois foi para o PTB, seu atual partido. Antes dos cinco mandatos como deputado federal, foi secretário estadual dos Transportes no governo Roberto Magalhães (198383/86) e secretário municipal de Planejamento e Urbanismo entre 1997/98. Em Pernambuco, o novo ministro não tem ligação com usina ou com cana-de-açúcar. Seu primo Eduardo Monteiro, dono da Destilaria Gameleira, no município de Confresa, no Mato Grosso, foi alvo de escândalo nacional diante de denúncia de trabalho escravo em 2005.  Ao lado do também primo, o presidente da Confederação Nacional da Indústria, Armando Monteiro Neto (PTB), José Múcio apoiou o governo de Jarbas Vasconcelos (PMDB). Romperam para lançar a candidatura de Armando ao governo. A candidatura não vingou e eles passaram a dar sustentação ao atual governador Eduardo Campos (PSB). Como deputado federal, José Múcio teve atuação destacada no episódio do mensalão, quando se manteve ao lado do deputado Roberto Jefferson, depois que este fez a denúncia do esquema de pagamento de propina do PT. (Colaborou Angela Lacerda, do Estadão)

Tudo o que sabemos sobre:
Mensalão mineiroJosé MúcioCPMF

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.