Em posse de Pochmann, Mangabeira fala em reformular Ipea

Ministro da Secretaria de Ações de Longo Prazo afirmou, no entanto, que órgão manterá autonomia

RENATA VERÍSSIMO, Agencia Estado

14 de agosto de 2007 | 19h39

Depois de enfrentar resistências à transferência do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) do Ministério do Planejamento para a Secretaria de Ações de Longo Prazo, o ministro Roberto Mangabeira Unger aproveitou a posse do novo presidente do Instituto para mandar um recado ao corpo técnico. Ele afirmou que o órgão manterá sua autonomia, mas defendeu a sua reformulação.   Segundo o ministro, o pluralismo não traz ameaças ao Instituto, mas o reforça. "Temos de encontrar uma maneira de definir uma vocação republicana para o Ipea", disse, ao dar posse a Marcio Pochmann na presidência do órgão. "O Ipea é muito mais que uma assessoria do governo no poder. Será mais útil se for mais que seu instrumento técnico", defendeu. De acordo com Mangabeira Unger, o Instituto sempre foi um celeiro de idéias, e agora é preciso trazer o Ipea para o centro do debate sobre o rumo que o País deseja. O ministro afirmou que o papel do Ipea e de sua secretaria será pensar "o importante" para o País. "O erro mais comum em política é confundir o urgente com o importante. Cuidem os outros do urgente que no Ipea e na Secretaria de Ações de Longo Prazo nós cuidaremos do importante", disse. Mangabeira afirmou que um dos desafios será definir o novo rumo do desenvolvimento apoiado pela democratização de oportunidades econômicas e educativas.   Pochmann, recém-empossado no cargo, também disse que não existe risco de procurar tutelar as pesquisas do Ipea conforme os interesses do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Se tivermos só gente pensando da mesma maneira não vamos avançar. Eu vim da universidade, onde você tem grande pluralidade. Isso é até meio esquizofrenia", garantiu.   O ex-presidente do Ipea Luiz Henrique Proença Soares também defendeu a adoção de uma postura pluralista dentro da entidade, mas criticou setores que pregavam um engajamento governista das pesquisas do instituto. "Fora do Ipea, algumas vezes, a intolerância se sobrepôs ao saudável exercício do debate de idéias sem o qual eu não acredito haver possibilidade de produção de conhecimento. Todos nós sabemos que há quem defenda a subordinação do processo de produção de conhecimento do Ipea às posições defendidas pelo governo", lamentou Proença.   "Eu sou frontalmente contrário a essa concepção de Estado e de exercício do poder. Como instituição pública que é, acredito que o Ipea deve se desdobrar como vem fazendo para atender as demandas governamentais ao elaborar sua agenda de trabalho. Mas não pode jamais submeter os resultados, e nem mesmo as opções teóricas e metodológicas que os embasam, ao alinhamento automático com teses defendidas pelo poder legitimamente eleito", acrescentou em seu discurso.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.