Em Porto Alegre, Campos afirma que 'quer mais' avanços sociais para o País

Governador de Pernambuco foi recebido no Sul como candidato à presidência da República

Elder Ogliari, de O Estado de S. Paulo,

08 Abril 2013 | 22h49

PORTO ALEGRE - O governador de Pernambuco e presidente do PSB Eduardo Campos foi recebido como candidato à presidência da República em 2014 na festa do 50º aniversário de deputado federal Beto Albuquerque, na noite desta segunda-feira, 8, em Porto Alegre. Apesar de ouvir o refrão "a juventude já decidiu, é Eduardo presidente do Brasil" cantado por parte dos 2,5 mil convidados que pagaram R$ 30 cada um pelo jantar, não assumiu a condição de concorrente à sucessão de Dilma Rousseff, alegando que a prioridade deste ano é discutir o futuro do País com a sociedade. Mesmo assim, deu pistas do debate que vai propor neste período em que está testando a receptividade e a viabilidade da candidatura.

"Não vamos mediocrizar o debate discutindo alianças antes de discutirmos em torno do que queremos nos juntar, qual é o conteúdo de uma aliança e o que está em jogo", afirmou em entrevista coletiva antes da festa. "Ao PSB não interessa um projeto de poder pelo poder, ao PSB interessa um projeto de País onde o povo e os interesses da sociedade sejam colocados no centro da aliança", reiterou.

Campos não fez críticas diretas ao governo de Dilma Rousseff, de quem o PSB estaria se distanciando para lançar sua candidatura, mas tratou de pontuar algumas diferenças. Citou avanços como os 20 milhões de empregos criados nos últimos 18 anos, admitiu a ampliação do poder aquisitivo dos brasileiros, mas advertiu que quer mais, como a escola pública que funcione, a saúde que não constranja e a segurança pública que não deixe a família com medo. Advertiu, ainda, que entende que só desonerar a folha de pagamento de encargos não será suficiente para a necessidade de postos de trabalho que o País tem. Afirmando que é preciso incrementar a produção da indústria.

Campos também ressaltou que o Brasil precisa melhorar seus serviços públicos. "A cidadania não é só o consumo de bens, mas também daquilo que é coletivo, como os serviços públicos de qualidade".

No debate que propõe, diz que ninguém pode se colocar "como dono da verdade, com postura de destruir aqueles que colocam sua visão", de colocar os outros como "inimigos porque podem ser candidatos". Para Campos, o Brasil tem que tratar logo do crescimento a longo prazo, algo que países como os Estados Unidos, que estão saindo da crise econômica, e a China, que está rediscutindo o mercado interno, já estão fazendo.

 

Reforma política. Questionado sobre a reforma política que o Congresso discute nesta semana, Campos mostrou-se crítico. "Acho difícil aprovar com esse clima eleitoral que há no Brasil", avaliou, sugerindo que "precisamos aprender a fazer reformas não só para a próxima eleição". Votar a reforma agora, adverte Campos, pode parecer casuísmo ou tentativa de evitar que a sociedade brasileira faça o debate. "(A reforma) foi ultrapassada pelo debate eleitoral que já chegou", sustentou.

 

Mídia. Campos também manifestou-se contrário a qualquer regulação da mídia. "Se eu entendo que determinada publicação é conservadora, tem viés atrasado, eu deixo de ler e passo a ler outra, que tenha a ver com o que penso, com os meus sonhos", comparou, para reiterar que a acredita que a regulação será feita pelo leitor.

 

Viagens e Diário Oficial. Durante a entrevista, os jornalistas também questionaram Campos sobre as constantes viagens que vem fazendo pelo País nas últimas semanas e a publicação de matérias elogiosas à sua atuação no Diário Oficial de Pernambuco. O governador assegurou que sempre viajou, mas alegou que antes não era entrevistado pelos jornalistas. Explicou, ainda, que hoje a gestão não depende apenas da presença física e que, mesmo quando está longe, acompanha e orienta a administração pelas vias de comunicação atuais.

Quanto às matérias elogiosas do Diário Oficial, disse que são feitas por uma equipe, sem sua interferência, seguindo um padrão existente desde o final dos anos 60. Destacou que a circulação já caiu de 20 mil para 1,9 mil exemplares diários e sairá do meio papel para o meio eletrônico em pouco tempo, quando também terá outro formato.

 

Tarso Genro e PT. A eventual candidatura de Campos também deve afastar o PSB do governo de Tarso Genro (PT) no Rio Grande do Sul. Genro mandou saudações a Beto Albuquerque, que era seu secretário de Infra-Estrutura até o final do ano passado, mas alegou outros compromissos para não ir à festa. Ao contrário de todos os grandes partidos gaúchos, o PT não foi representando no ato político do aniversário. Campos não quis comentar recente declaração de Tarso, de que sua candidatura seria um erro tático da esquerda, preferindo deixar o tema para esta terça-feira, quando fará visita de cortesia ao governador gaúcho.

 

A agenda de Campos em Porto Alegre prossegue nesta terça-feira como se fosse de um candidato. Além de visitar Tarso, o governador de Pernambuco fala para empresários na Federação das Associações Comerciais e de Serviços (Federasul) ao meio-dia, recebe a medalha do Mérito Farroupilha na Assembleia Legislativa no início da tarde e faz outra palestra, para os participantes do Fórum da Liberdade, promovido por jovens empresários liberais, no final da tarde.

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