Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

Em peruada, Doria é principal 'alvo' de críticas

Em ano pré-eleitoral, tradicional festa dos estudantes de Direito mantém tom político; entre as fantasias, 'ração humana' e 'fiscal de nu artístico'

Gilberto Amendola, O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2017 | 17h48

A tradicional peruada, passeata etílico-política, promovida pelo centro acadêmico XI de Agosto da faculdade de Direito do Largo São Francisco, teve como sua principal vítima o prefeito de São Paulo João Doria (PSDB). Muitos estudantes se fantasiaram de ração para cachorro (uma referência explícita a polêmica farinata promovida por Doria) e do personagem da série de livros Onde Está Wally (adaptado para Onde está o Doria? – uma brincadeira com a agenda de viagens do prefeito).

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Embora, oficialmente, o tema do evento tenha sido “Meu peru não está contente, quero votar para Presidente”, não foi a possibilidade de eleições antecipadas que mobilizou os futuros advogados. Muitos, inclusive, consideraram a pauta ‘atrasada’ em relação aos recentes desdobramentos da política nacional. Um dos organizadores da peruada explicou o descompasso. “O tema foi escolhido em votação. Entendo que ele tenha ficado um pouco pra trás, mas ele é o tema que representa nosso trabalho e luta de todo esse ano”, disse Guilherme Ribeiro, 20 anos, estudante do Largo São Francisco.

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A peruada reuniu cerca de 2 mil pessoas – que se concentraram na frente da Faculdade de Direito (as atividades acadêmicas dessa sexta-feira foram suspensas). Alguns comerciantes do entorno da faculdade se mostraram preocupados com eventuais ‘penduras’ ( a tradição de não pagar contas no dia da peruada) e sequer abriram suas portas. “Claro, que um ou outro pendura vai acontecer, mas a peruada desse ano é um ato político”, disse Fernanda Moreira, 22 anos, que estava fantasiada de ‘Cura Hetero’ – uma referência aos temas de ordem moral que tem pautado parte do embate político.

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O prefeito João Doria foi o maior “homenageado” pelos estudantes. A estudante Letícia Suga, 21 anos, que estava fantasiada de ração para cachorro, afirmou que “um político como João Doria representa muito bem a a bagunça institucional do País”. “A gente que estuda na faculdade em que o presidente Michel Temer se formou tem a obrigação de fazer uma festa com características políticas. A gente precisa incomodar”, disse.

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Além da cerveja, da catuaba e dos eventuais penduras, a peruado também satirizou outro presidenciável. Assim como Doria, Jair Bolsonaro esteve na mira dos estudantes. A fantasia de bolsominions foi uma das mais comuns da festa. Um grupo chegou a levar cartazes com as frases polêmicas do deputado, coisas do tipo “é melhor torturar do que matar”.

Os ministros do STF que também lecionam na faculdade, Ricardo Lewandowski e Alexandre de Moraes, também eram alvos de brincadeiras. “Depois que virou ministro o Alexandre não apareceu mais para dar aula”, disse uma aluna que não quis se identificar. Outra personalidade bastante lembrada foi a da professora e jurista Janaína Paschoal. “Estamos esperando ela na peruada. Quem sabe ela não vem girar a bandeira aqui também”, disse outro estudante que pediu anonimato, referindo-se a performance mais viralizada de Janaína durante o processo de impeachment da presidente cassada Dilma Rousseff.

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