Em PE, marqueteiro do PTB diz que Câmara 'saiu do nada'

Atingido no meio da campanha pela comoção com a morte de Eduardo Campos (PSB) em sua terra natal, o principal candidato de oposição ao governo de Pernambuco, Armando Monteiro (PTB), tenta como última cartada contra Paulo Câmara (PSB) o mesmo apelo à razão que o candidato Aécio Neves (PSDB) tenta imprimir à campanha nacional na reta final.

ERICH DECAT, ENVIADO ESPECIAL A RECIFE, Estadão Conteúdo

30 de setembro de 2014 | 19h54

"Acabamos sendo vítima de uma campanha absolutamente emocional por conta da morte de Campos. Isso vem sendo explorado à exaustão, com uma massificação bilionária na rua. Monteiro quer nesse momento trazer as pessoas para a realidade e estabelecer comparações", afirmou o marqueteiro de campanha do candidato, Marcelo Simões. "É o mais experiente, mais preparado. E o outro (Câmara), é um cara que saiu do nada, foi indicado, veio apenas para ser liderado e não para liderar. Esse será o enfoque: racionalidade versus emocionalidade", acrescentou.

Monteiro liderava a campanha contra Câmara por mais de 30 pontos de diferença. Após a morte do ex-governador, Câmara subiu sem parar. De acordo com a última pesquisa Ibope, lidera a disputa estadual com 39% das intenções de votos contra 35% de Monteiro.

O uso da "razão" na reta final inclui apresentar semelhanças entre Monteiro e Campos. "Eles são iguais na liderança, capacidade política, articulação com o nacional, trajetória política e administrativa. Câmara se chegar em Brasília, não sabe nem que porta vai bater", ressaltou o marqueteiro.

A coligação no Estado é apoiada pelo ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff (PT) que fizeram gravações para o programa eleitoral da chapa. Monteiro ainda vai usar a imagem dos dois para passar o recado aos eleitores de que ele tem mais "capacidade" para dar continuidade às parcerias com o governo federal iniciadas por Eduardo Campos, quando comandou o Estado. As iniciativas de Campos renderam uma série de investimentos feitos em conjunto com o governo federal em refinarias, estaleiros, adutoras, fábricas de automóveis e programas sociais.

O sucesso desses projetos é colocado pelos adversários como um dos fatores para a alta aprovação do ex-governador no Estado. Se por um lado os adversários criticam, por outro, a manutenção da lembrança do ex-governador no imaginário dos eleitores pernambucanos é um dos principais focos da campanha de Paulo Câmara.

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