Em PE e AL, cerca de 200 médicos pedem demissão coletiva

Nos dois Estados, profissionais querem aumento, mas governo diz não ter como chegar a valor pedido

Ricardo Rodrigues e Angela Lacerda, do Estadão,

02 de agosto de 2007 | 19h30

Cerca de 150 médicos de várias especialidades, que trabalham na rede estadual de saúde pública, deram entrada com pedidos de demissão coletiva nesta quinta-feira, 2, na Secretaria Estadual de Administração. Esta é a segunda leva de médicos que pedem exoneração do serviço público em Alagoas, em protestos contra os baixos salários. Há 15 dias, outros 14 médicos - entre hematologistas e neurocirurgiões - pediram exoneração e deixaram desfalcado o Hemocentro de Alagoas (Hemoal) e a Unidade de Emergência Armando Lages, principal pronto-socorro do Estado.   Os médicos estão em greve há mais de dois meses, reivindicando 50% de reajuste salarial, o que elevaria o menor salário da categoria para R$ 1.500,00. O piso nacional da categoria é de R$ 3,8 mil. O governo do Estado até agora só oferece 5% de aumento e alega que se der mais compromete a Lei de Responsabilidade Fiscal. Os médicos dizem que o governo tem como pagar o reajuste de 50%, cujo impacto na folha do Estado seria de R$ 1,8 milhão.   Também em Pernambuco, a Secretaria de Saúde do Estado informou nesta quinta-feira que mais 51 médicos das três maiores emergências do Estado pediram demissão, totalizando 111 o número de traumatologistas, cirurgiões vasculares e cirurgiões-gerais que se afastaram da rede pública de saúde desde o último dia 20. O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB) assinou decreto autorizando contratação de médicos em caráter de urgência. A idéia é contratar 120 profissionais para substituir os demissionários.   Aviso prévio em Alagoas   Segundo o setor jurídico do Sindicato dos Médicos (Sinmed), os profissionais que entregaram os pedidos de exoneração em Alagoas ainda trabalharão por 30 dias nas suas unidades de saúde, cumprindo uma espécie de "aviso prévio", por determinação do Conselho Regional de Medicina de Alagoas (Cremal).   A assessoria jurídica do Sinmed informou ainda que o secretário estadual de Administração, Adriano Soares, não pode converter o pedido de exoneração coletiva em demissões por justa causa, como vem ameaçando. O Sindicato alega que os 14 profissionais aderiram a demissão coletiva estavam trabalhando normalmente, mesmo com o restante da categoria em greve.   O movimento prevê ainda mais demissões para a próxima semana, uma vez que o governo não voltou a negociar. Entres as especialidades médicas que pediram exoneração nesta quinta-feira estão alguns anestesista, pediatras, infectologistas, ginecologistas e outros.   A greve dos médicos começou no dia 28 de maio e, desde esse dia, os médicos deixaram de atender nos ambulatórios 24 horas. Mesmo com o decreto de ilegalidade da greve e corte dos salários por parte do governo, a categoria mantém a paralisação. Além dos médicos, os policiais civis também estão em greve em Alagoas.   Pernambuco   A decisão do governo, anunciada na última quarta-feira, de transferir os pacientes em estado mais grave para atendimento em João Pessoa e Campina Grande (Paraíba) e em Barbalha (Ceará) - na fronteira sertaneja, a cerca de 600 quilômetros do Recife - foi tema de reunião, a portas fechadas, entre o secretário de Saúde de Pernambuco, Jorge Gomes, e o colega da Paraíba, Geraldo Almeida, no Recife.   Almeida estimou que 15 pacientes pernambucanos já foram atendidos na Paraíba e ratificou seu apoio. O secretário de Saúde do Ceará, Ananias Vasconcelos Neto, lembrou que a demanda é maior do que o número de atendimentos no seu Estado, mas não se furtará em ajudar o vizinho.   Em entrevista coletiva, o governador Eduardo Campos (PSB) afirmou que o Estado chegou ao seu limite financeiro, não podendo aumentar a proposta feita aos profissionais da saúde: 7% de reajuste no salário-base, de R$1.540,00, e de 92% na gratificação, que passaria de R$ 600,00 para R$ 1.150,00. Os médicos lembram receber o pior salário do País e pedem salário inicial de R$2.161,00 mais gratificação de R$1.080,00.

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