Em oito anos, postulantes, no geral, 'empobreceram'

TSE divulgou informações sobre o patrimônio de 23,9 mil candidatos este ano, o levantamento é feito desde 2006

O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2014 | 02h02

Os dados das declarações de bens dos candidatos nas eleições estaduais e federais mostram que, ao mesmo tempo em que o número de candidatos aumenta a cada pleito, o patrimônio total declarado por eles diminui em ritmo bem maior.

Em 2006, primeiro ano para o qual o Tribunal Superior Eleitoral divulga as informações em formato legível por máquina, foram 20,8 mil candidatos. Esse número passou para 22,6 mil em 2010 e chegou a 23,9 mil neste ano. O valor somado de todos os bens listado por eles, porém, caiu de R$ 21,8 bilhões em 2006 para R$ 18,5 bilhões em 2010 e, agora, representa apenas R$ 11,9 bilhões - quase metade do valor do total de oito anos atrás, em valores atualizados pelo IPCA no período.

A queda no patrimônio dos candidatos ocorre em um contexto em que a renda média do brasileiro aumentou.

Os dados da Justiça Eleitoral têm limitações. Várias declarações de bens dos candidatos estão desatualizadas - quem fez sua primeira declaração há muito tempo raramente atualiza os valores dos bens de uma eleição para outra.

Um exemplo disso é o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). Seu apartamento no Morumbi é declarado com o mesmo valor (R$ 323 mil) desde 2006.

Isso significa que, no cálculo feito com a correção monetária, seu apartamento aparentemente se desvalorizou no período, já que a inflação acumulada foi de 54% - o que provavelmente não é verdade, tendo em vista a valorização do mercado imobiliário paulistano na última década.

Classe médica. O cientista político Leôncio Rodrigues também aposta no afastamento da elite da política e um aumento do número de candidatos de classe média. "Hoje temos mais representantes de classes mais baixas na Câmara do que antes, entre servidores públicos, bancários e professores, por exemplo." / R.B.

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