Luiz C. Ribeiro/GOVERNO SP
Luiz C. Ribeiro/GOVERNO SP

Em NY, Alckmin diz que a política não pode ficar no plano secundário

Em reunião fechada com possíveis investidores, governador discursa na contramão da 'onda do gestor', mas defende a aproximação do setor público e do privado

Ricardo Leopoldo, correspondente em Nova York, e Adriana Ferraz, O Estado de S.Paulo

16 de maio de 2017 | 11h56

Em viagem aos Estados Unidos para divulgar o programa estadual de concessões, avaliado em R$ 45 bilhões, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse na manhã desta terça-feira, 16, durante reunião com possíveis investidores em Nova York, que a política não pode ficar no plano secundário. "Me preocupa, muitas vezes, relegar a política ao plano secundário, porque ela é a atividade essencial. Não adianta a empresa ir bem, se a economia de seu País vai mal. Não adianta você ser o melhor agricultor do mundo da porteira para dentro se da porteira pra fora nada funciona", disse a uma plateia de empresários e banqueiros no Bank of America Merril Lynch.

Sem criticar abertamente a onda do gestor, que tem o prefeito de São Paulo, o também tucano João Doria, como maior expoente, Alckmin afirmou que a "pior política é a da omissão". Em seguida, disse considerar importante a ascensão de novas lideranças e a aproximação do setores público e privado.

Alckmin reafirmou que a escolha do candidato do PSDB para presidente em 2018 é uma posição coletiva do partido, que deveria ocorrer por meio de prévias, mas deve ficar para o próximo ano. O governador é um dos nomes do partido para a disputa.

Ao ser perguntado se o fato de Doria também defender prévias no PSDB para a escolha do candidato do partido não era um sinal de que ele gostaria de disputar com Alckmin, o governador destacou a grande amizade que possui com o prefeito de São Paulo. "Ninguém vai conseguir (fazer) eu e o João Doria nos distanciarmos. Nós estamos fazendo uma grande sinergia, unindo esforços, aliás nos três níveis de governo, mas especialmente Estado e município, em benefício da população", destacou.

Para Alckmin, no Brasil muitas pessoas não estão acostumadas que os partidos políticos tenham várias lideranças. "Nós precisamos ter democracia interna, e eu concordo plenamente com as prévias. "A prévia não divide, escolhe. Por isso que eu sempre defendi como um princípio. Quando se ouve mais você erra menos. Quando você amplia a participação envolve mais o partido e tem mais legitimidade."

O governador foi questionado se seria adequada uma comparação entre Doria e o ex-presidente dos EUA, Donald Trump. "É totalmente indevida, imagina", disse Alckmin. "E hoje vai ser homenageado. É a noiva ainda por cima", disse o governador, em referência ao prêmio de "Homem do Ano" que o prefeito irá receber da Câmara de Comércio Brasil-EUA.

Negócios. Durante o roteiro que cumpre em território americano, o governador tenta vender parte de seu plano de concessões e Parcerias Público-Privadas (PPPs) a investidores estrangeiros, assim como Doria, que também aposta em um programa de desestatização para viabilizar melhorias na capital.

Na lista estadual de negócios estão mais de 20 projetos em diversas áreas, como rodovias, saneamento e infraestrutura. Na segunda, 15, Alckmin anunciou na Bolsa de Valores de Nova York a capitalização da Companhia de Saneamento do Estado de São Paulo (Sabesp). Segundo o tucano, serão feitos estudos para a criação de uma holding de saneamento que reunirá, além da Sabesp, outras possíveis empresas subsidiárias.

Aristóteles. A importância de se fazer política foi enfatizada no programa do PSDB, veiculado em rede nacional semana passada com a participação de Alckmin e de outros caciques tucanos, como o senador Aécio Neves e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. No evento desta terça, Alckmin disse que a  politica não é uma tarefa fácil", mas é ela que, assim como a arte e a ciência, proporciona o bem comum e a preparação necessária para a tomada de decisões, em referência a Aristóteles.

Diante de questionamentos feitos por empresários, o tucano ainda defendeu a reforma política, a consolidação das instituições e a importância do empreendedorismo para o crescimento do País. Mais tarde, a partir das 19h, o governador participa de jantar em homenagem a Doria, que receberá o prêmio de "Homem do Ano". Na segunda, 15, o prefeito disse que será candidato pelo PSDB aquele que tiver a "melhor posição da opinião pública para vencer o PT e o Lula". Na disputa pela indicação do partido à corrida presidencial em 2018, Alckmin também se colocou na segunda-feira, 15, "pronto" para tentar o  cargo.

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