Em novo vídeo, Pizzolato ataca Supremo e diz que PT 'não pode assumir essa culpa'

Foragido da Justiça brasileira na Itália, ex-diretor de marketing do BB critica Joaquim Barbosa em evento para petistas

Wilson Tosta, O Estado de S. Paulo

26 de novembro de 2013 | 15h46

Rio de Janeiro - Em novo vídeo divulgado na internet, o ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato critica duramente o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, e outros ministros da Corte, que o condenaram a 12 anos e sete meses de prisão por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro no processo do mensalão. Na gravação, em evento em que se defendeu diante de uma plateia de petistas, Pizzolato, ao lado do ex-presidente do PT José Genoino e do ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha, condenados na mesma ação, afirma que a acusação foi montada com participação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) para atingir a legenda. Emocionado, pede que o partido repudie as acusações de desvio de dinheiro público.

"O PT não pode assumir essa culpa. Assumir essa culpa é manchar o nome do PT com algo que não merecemos, as próximas gerações não merecem e a nossa luta seria um sacrifício por quase nada", encerra, aplaudido e ovacionado pelos presentes aos gritos de "Partido, Partido, é dos Trabalhadores." Há cerca de um mês, Pizzolato, que tem dupla nacionalidade, deixou secretamente o Brasil para evitar ser preso e se escondeu na Itália.

Confira o vídeo:

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O ex-diretor do BB ocupa o terço inicial do vídeo de 33 minutos e 48 segundos contando sua trajetória no banco (no qual ingressou por concurso em 1974), no PT ,no movimento sindical e na Central Única dos Trabalhadores. Depois ,passa a abordar as acusações que sofreu, ressaltando que passou 32 anos no Banco do Brasil sem que as auditorias da instituição jamais tivessem encontrado qualquer irregularidade em sua atuação.

"E aí, surpreendentemente, vejo pela televisão que o ministro Joaquim Barbosa diz que tinham sido roubados do banco R$ 73,8 milhões (do BB) e tinham sido entregues ao Marcos Valério para o Marcos Valério repassar para o PT comprar deputados", diz. "Segundo ele, o "banco fez três auditorias e chegou à conclusão de que todo o dinheiro foi empregado", "mas o Joaquim Barbosa disse que o dinheiro sumiu, que foi totalmente desviado para dar para o PT e aí o PT, o Genoino e o Delúbio (Soares, ex-tesoureiro) fizeram um conchavo com o Banco Rural e montaram um empréstimo fictício."

Pizzolato diz que "essa é a história que 'eles' montam, e que depois os demais ministros (do STF) montam". "Aí criaram a fonte do dinheiro. Por isso fui o primeiro a ser julgado. Por isso fatiaram (o processo)... Por isso um pangaré, coitado, que ninguém sabia que existia, que ocupava um cargozinho, eu não tinha poder individual nenhum, não tinha poder para gastar nenhum centavo do banco ... Por isso de uma hora para a outra passo a ser o cara que tem as gavetas cheias de dinheiro." Para ele, com a acusação de desvio de dinheiro público "conseguem atingir o PT. "É por aí que chegam no Genoino, é por aí que chegam no Zé Dirceu, é por aí que chegam no Delúbio, é por aí que o Fernando Henrique e todo mundo diz: o PT pegou dinheiro público."

Ao falar de seu futuro ao lado da mulher, Andréa, Pizzolato mostra pessimismo. "Que perspectiva de vida a gente tem?", pergunta. "A gente vive o minuto seguinte." Ele insiste que o PT não pode aceitar que houve desvio de dinheiro público. "Mesmo que eu tenha de morrer sem língua, como fazia na Idade Média, onde os tribunais eram um pouco parecidos, dinheiro do Bando do Brasil não saiu."

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