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Em novo 'Diários', FHC diz que pressão do PMDB 'cheirava mal'

Passagens do segundo volume do livro 'Diários da Presidência' mostram que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso se incomodava com pressões feitas pelo PMDB para preencher cargos em seu governo

O Estado de S.Paulo

14 de maio de 2016 | 19h37

Em trechos do segundo volume de seu livro ‘Diários da Presidência’, em que narra acontecimentos de 1997 e 1998, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso se mostra incomodado com pressões feitas pelo PMDB para preencher cargos em seu governo.

Passagens do livro, que será lançado ainda neste mês, foram divulgadas neste sábado, 14, pela revista Veja. Em uma delas, uma anotação feita por FHC em abril de 1997, o líder tucano relata um encontro com o então ministro das Comunicações, Sérgio Motta, que também era um de seus principais articuladores políticos. Motta queixava-se que Geddel Vieira Lima, líder do PMDB, ameaçara não apoiar o governo no Congresso se o deputado Eliseu Padilha não fosse para o ministério dos Transportes.

“Eu já tinha decidido que não vou nomear Eliseu Padilha nenhum, porque esta pressão está cheirando mal”, diz FHC no livro. “Até tenho simpatia pelo Eliseu, mas do jeito que as coisas estão se colocando, isso está mal.”

Lula. Em outro trecho, de dezembro de 1998, o então presidente da República fala sobre um encontro com Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio da Alvorada. Conversaram sobre um possível diálogo entre governo e oposição. “Lula estava bem disposto, elegante, mais bonito, com o pensamento solto”, registrou o tucano.

FHC havia derrotado Lula no primeiro turno das eleições daquele ano. Na conversa, o petista propunha uma agenda com pontos “a ver com o PT”. FHC aceitou, mas propôs que o acordo fosse feito com discrição, para que um debate público não dificultasse a viabilização. “Acho que ele não sabe, não registra, o que o governo faz, como se não existisse. Mas, à parte isso, ele continua sendo uma pessoa viva, interessada e com uma integridade básica, me parece.”

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