Em novo cenário, campanha vai usar 'mais Lula'

Potencial de crescimento de Marina faz PT deixar de lado preocupação com presença exagerada do ex-presidente

VERA ROSA, TÂNIA MONTEIRO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

22 de agosto de 2014 | 02h03

O comando da campanha à reeleição de Dilma Rousseff avalia que a candidata do PSB à Presidência da República, Marina Silva, será a principal adversária do PT daqui para a frente e já prepara uma ofensiva com "mais Lula" para enfrentá-la.

Se antes havia uma preocupação com a presença exagerada do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha da presidente, a cúpula do PT diz agora que a associação da imagem dele com Dilma será fundamental, sobretudo no Nordeste.

As últimas pesquisas que chegaram ao Palácio do Planalto mostram que a ex-ministra do Meio Ambiente ultrapassou em oito pontos porcentuais o candidato do PSDB, Aécio Neves. Ela está agora em segundo lugar, e não mais em situação de empate técnico com o tucano. Os números foram discutidos na noite de quarta-feira, durante reunião de coordenação da campanha petista com Dilma e com Lula, no Palácio da Alvorada.

Reavaliação. A avaliação interna é que se, até o início de setembro, Marina ainda estiver nessa posição, a estratégia de polarização com o PSDB - preferida pelo Palácio do Planalto - terá de ser refeita. Ministros acreditam que, por enquanto, a tática de desconstrução da ex-ministra ficará a cargo da campanha tucana e já comemoram as divergências no comitê do PSB.

Na tentativa de impedir que Marina herde no Nordeste os votos do ex-governador Eduardo Campos - morto em acidente aéreo no dia 13 -, Lula e Dilma seguiram ontem para o interior de Pernambuco. Em Floresta (PE), a dupla almoçou com os trabalhadores do Eixo Norte da transposição do Rio São Francisco. No cardápio, arroz, feijão, picadinho de carne e salada.

Entre beijos, abraços, fotos e autógrafos, os dois gravaram cenas para o horário eleitoral de TV. Na comunidade rural de Batatinha, em Paulo Afonso (BA), Dilma e Lula também provaram a galinhada de dona Nalvinha, figura conhecida na região.

Imagem modulada. Os trackings do PT sobre a estreia de Dilma na propaganda política de TV mostraram que a estratégia de mostrar a presidente como uma pessoa comum, que trabalha, cozinha e tem "saudade da filha e do neto", surtiram efeito.

O PT montou uma estrutura especial de pesquisa em São Paulo, maior colégio eleitoral do País, com o objetivo de moldar a imagem de Dilma na campanha. Na lista de atributos, a presidente foi vista pela maioria dos eleitores entrevistados como uma mulher "batalhadora".

Em Minas Gerais, as pesquisas internas indicaram um cenário "avassalador" para a campanha de Aécio, nas palavras de um dirigente do PT.

O tracking feito pelo partido revelou que Marina roubou muitos votos do candidato tucano à Presidência em seu reduto eleitoral. Aécio ainda estaria na liderança, mas em situação de empate técnico com Dilma, com apenas dois pontos porcentuais à frente.

Artilharia. Para o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, o PT, agora, terá de trabalhar dobrado para reeleger Dilma, valendo-se de uma "artilharia forte" nos programas eleitorais de rádio e televisão.

"Precisamos trabalhar muito, até mais do que antes, para vencer a eleição", afirmou Carvalho. "Temos de ter artilharia forte na televisão e uma infantaria forte também nas ruas. Não tem salto alto, não tem 'já ganhou', não tem essa de achar que tudo está resolvido já no primeiro turno", completou o ministro.

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