Em nova nota, arcebispo critica campanha de Russomanno

Texto assinado pelo cardeal d.Odilo Scherer volta a repudiar 'manipulação e instrumentalização da religião' na disputa eleitoral, em resposta a artigo de presidente do PRB

O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2012 | 16h19

O arcebispo de São Paulo, cardeal d.Odilo Scherer, criticou o que chama de "manipulação e instrumentalização da religião" na disputa eleitoral e repudiou novamente a campanha do candidato do PRB à Prefeitura de São Paulo, Celso Russomanno.

 

"Muito nos entristeceu, no contexto da propaganda eleitoral partidária, ver a Igreja Católica Apostólica Romana atacada e injuriada, de maneira injustificada e gratuita, justamente num artigo do chefe da campanha de um candidato à Prefeitura de São Paulo", disse em nota divulgada neste domingo, 16.

 

Na quinta-feira, 13, a Arquidiocese de São Paulo, entidade máxima da Igreja Católica na capital paulista, já havia divulgado nota de repúdio em que atacava o presidente do PRB e coordenador da campanha de Russomanno, Marcos Pereira - pastor licenciado da Igreja Universal. O texto criticava  um artigo escrito e publicado no blog de Pereira em maio de 2011, o qual dizia que a Igreja Católica tem o “controle das ações do governo, seja federal, estadual ou municipal”. O texto voltou a circular nas redes sociais recentemente.

 

O presidente do PRB e coordenador da campanha de Celso Russomanno, Marcos Pereira, disse que considera o assunto encerrado e que não comenta as novas manifestações da Igreja Católica.

 

"Não vou alimentar um assunto que não acrescenta nada à democracia. Para mim, o assunto está encerrado. Coloquei um ponto final", afirmou.

 

Pereira respondeu às críticas feitas pela Arquidiocese de São Paulo na última sexta-feira, com um novo texto em seu blog. Na página, escreveu que o artigo sobre a influência católica em governos foi escrita em maio de 2011, "sem qualquer conotação política ou eleitoral". Afirmou também que lamenta o uso "indevido" de seu texto às vésperas da eleição municipal.

 

Na nota divulgada neste domingo, agora assinada por d.Odilo, o arcebispo refutou a acusação de uso político do texto e afirmou que seu conteúdo já vinha sendo usado na campanha, antes da manifestação da Arquidiocese.

 

Sem mencionar nomes de candidatos, d.Odilo afirmou que padres e bispos foram orientados a não pedir votos para candidatos por entender que as igrejas não deveriam ser transformadas em "currais eleitorais". "Entendemos que o voto dos cidadãos é livre e não deve ser imposto aos fiéis, como por 'cabresto eleitoral', pelos ministros religiosos."

 

Ainda de acordo com a nota, nesta quinta-feira, 20, a Arquidiocese vai promover um encontro com cinco candidatos para discutir propostas e os problemas da cidade. O convite será feito aos melhores posicionados nas pesquisas eleitorais.

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