Sérgio Castro/AE
Sérgio Castro/AE

Em nova entrevista, Ciro volta a questionar habilidade política de Dilma

Deputado mira o PT, diz que volta de Dirceu 'é desacato à Justiça' e diz que 'Lula está perdendo a humildade'

André Mascarenhas, Carol Freitas e Gustavo Uribe

23 de abril de 2010 | 20h43

SÃO PAULO - Após ver sua candidatura ao Palácio do Planalto ameaçada pela cúpula do PSB, dizer que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "navega na maionese" e prever uma vitória do pré-candidato da oposição, José Serra (PSDB), o deputado federal Ciro Gomes (PSB) voltou a mirar o PT na noite desta sexta-feira, 23. Entrevista ao Jornal do SBT, Ciro disse que a pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, tem errado no início da campanha e voltou argumentar que Serra está mais preparado do que Dilma para ganhar as eleições. Afirmou também que "Lula está perdendo a humildade".

 

O deputado federal disse novamente que Dilma é melhor do que Serra como pessoa, mas ressaltou que o tucano tem mais experiência e é mais preparado que a petista. "O Serra é mais preparado que Dilma. Já foi deputado federal e governador de São Paulo", salientou. Mas não poupou Serra, a quem chamou de solitário e autoritário. "É um inimigo a ser destruído", criticou.

 

O deputado federal reconheceu que cometeu erros graves em sua carreira política, mas salientou que os primeiros movimentos políticos de Dilma o deixaram "de cabelo em pé". De acordo com ele, a presidenciável do PT não tem experiência política. "Os primeiros movimentos dela já me deixaram de cabelo em pé, ela não tem experiência política", criticou. Para Ciro, a ex-ministra errou ao ir ao túmulo de Tancredo Neves, em Belo Horizonte, reduto do tucano Aécio Neves.

 

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E não deveria ter viajado ao Ceará "sem nem sequer me dar um telefonema". O deputado lembrou que, na ocasião, o PSB ainda cogitava sua candidatura e acrescentou que a atitude da ex-ministra foi o motivo para o não comparecimento de seu irmão, o governador do Estado, Cid Gomes (PSB), aos compromissos de Dilma. À época, o governo do Ceará alegou que Cid não foi ao encontro de Dilma por motivos pessoais. "Sem falar que Zé Dirceu voltou ao comando da campanha", completou. Segundo o parlamentar, o retorno Dirceu "é um desacato à Justiça e um desacato à opinião pública".

 

Mas essa não foi a única reclamação do deputado contra o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. Segundo ele, o deputado chegou a chantagear Cid Gomes, dizendo que o apoio do PT à reeleição estaria em perigo caso o PSB mantivesse a candidatura de Ciro. "O José Dirceu esteve no Ceará, na casa do meu irmão, dizendo que o PT retiraria o apoio (a reeleição do) meu irmão se eu fosse candidato", disse o deputado federal.

 

Ciro reiterou ter a impressão de que Serra é mais forte do que Dilma na corrida presidencial. "O Serra é mais preparado porque foi prefeito, foi ministro e governador", voltou a dizer. Mas não poupou críticas ao PSDB e ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Segundo Ciro, o caso Alston ainda poderá comprometer a candidatura Serra. Ainda assim, criticou atitude do governo federal em pedir, pelo ministério da Justiça, a quebra do sigilo da empresa.

 

Lula

 

Mais uma vez, o deputado não poupou o presidente Lula das críticas. Embora tenha elogiado seu governo e o identificado como merecedor dos altos níveis de popularidade, disse que o presidente deixou de procurá-lo para conversar. "O Lula está perdendo a humildade", disse. "Quem disputa a eleição e sabe que o povo é o deus superior tem que saber perder e ganhar", criticou.

 

Apesar de todos os indícios de que sua candidatura não tem mais sustentação, Ciro mas ressaltou que vai "espernear até terça-feira (27)", quando o PSB decidirá seu destino político. "Vou respeitar democraticamente a decisão do partido, mas vou espernear até terça-feira", afirmou. "Se não der, vou ler, escrever, cuidar dos meus filhos e da minha mulher", acrescentou.

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