Em nova crítica, Skaf diz que CSS é imposto 'Contra Seu Salário'

Para o presidente da Fiesp, aumento da arrecadação federal torna desnecessária a criação de novos impostos

Josué Leonel, da Agência Estado,

02 de junho de 2008 | 10h03

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, voltou a criticar nesta segunda-feira, 2, a proposta de recriar a CPMF com um novo nome, o de Contribuição Social para a Saúde (CSS). "CSS é a sigla de Contra o Seu Salário", afirmou Skaf em entrevista nesta manhã à Rádio Eldorado. Para o presidente da Fiesp, o aumento da arrecadação federal torna desnecessária a criação de novos impostos ou a elevação de alíquota dos já existentes.   Veja Também:  Entenda o que é a CSS Entenda a Emenda 29  Entenda a cobrança da CPMF      Skaf toma como argumentos os números divulgados pela Receita, que mostraram crescimento superior a R$ 30 bilhões da arrecadação neste início de ano sobre o mesmo período de 2007. "Já é o equivalente a uma CPMF e a projeção para o ano todo é de crescimento de R$ 80 bilhões, o que dá duas CPMFs sem necessidade de recriar o imposto", afirmou o presidente da Fiesp   Segundo Skaf, o comportamento positivo da arrecadação, mesmo após o fim da CPMF, não é uma surpresa. "Nós dizíamos que não haveria catástrofe nas contas do governo", afirmou. Pelo contrário, observa o dirigente empresarial, "em vez de catástrofe, recebemos o grau de investimento".   Em sua opinião, as agências de rating teriam reagido bem ao fato de o País ter conseguido manter as contas em ordem sem o imposto. "Ganhamos mais credibilidade", destacou. Skaf considera que nem mesmo o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) está impedindo bons resultados fiscais. "O PAC gera pouco gastos da União, é mais investimento do setor privado e das estatais".   O presidente da Fiesp considera que a carga tributária brasileira, estimada em 38% do PIB, já é muito alta em relação a outros países emergentes. Ele lembrou que países que crescem mais do que o Brasil, como Peru, Argentina e Chile, possuem carga menor. No Peru, seria de 17% e na Argentina, de 22% do PIB. No Brasil, a carga de 38% ainda não seria o peso real sentido pela sociedade.   "Se contarmos que as pessoas ainda precisam gastar com saúde e educação, a carga verdadeira sobe a 40%", disse o presidente da Fiesp. "A sociedade não aceita de forma alguma a criação de novos impostos ou o aumento de alíquotas", enfatizou.   Skaf também se mostra contra a hipótese de uma nova elevação da Selic na reunião do Copom desta semana. Para o mercado, a taxa subirá entre 0,50 ponto percentual (PP) e 0,75 pp. "É lamentável", afirmou ao comentar estas estimativas. O dirigente argumenta que a pressão inflacionária observada hoje é mundial. A maioria dos países emergentes estaria com a inflação acima do teto da meta, o que não é o caso do Brasil.   Quanto ao argumento de que a alta dos juros seria necessária para segurar o consumo, Skaf ponderou que é a demanda que atrai os investimentos necessários ao crescimento do País. No entanto, Skaf fez questão de ponderar que não é a favor de uma política quer permita a volta da inflação. "Não queremos nem ouvir falar de volta da inflação".

Tudo o que sabemos sobre:
FiespCSSImpostoPaulo Skaf

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.