Em nota, Sarney refuta insinuações sobre nepotismo cruzado

Presidente do Senado entrou em contradição durante o pronunciamento da última quarta-feira

Leandro Colon, O Estado de S.Paulo

06 de agosto de 2009 | 12h46

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), divulgou nota hoje para explicar as contradições apresentadas ontem por ele no seu discurso em plenário. O senador diz que "refuta" as insinuações de nepotismo cruzado. Ontem, aos colegas, ele responsabilizou aliados pela nomeação de parentes da família Sarney.

 

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Ele disse ainda que referiu-se ao desconhecimento de Rodrigo Miguel Cruz, que seria funcionário de Roseana Sarney, e não Rodrigo Lima Cruz, genro do ex-diretor-geral Maia. No telão apresentado ontem em plenário, apareceu apenas o nome "Rodrigo Cruz".

 

Sarney mudou a versão sobre Luiz Cantuária, a quem disse desconhecer ontem. Hoje, o senador disse que conhece Luiz Cantuária, mas por outro nome, Lucas Barreto. "Trata-se de pessoa que nunca conheci com esse nome, e sim como Lucas Barreto, como é conhecido por todos no Amapá o ex-deputado federal e ex-candidato a prefeito".

 

No discurso ontem, Sarney afirmou que seu neto José Adriano Cordeiro Sarney "nunca" teve qualquer relação com o Senado. O jovem é dono da empresa Sarcris, intermediária de empréstimos consignados. Hoje, Sarney tentou corrigir a versão. "Expliquei no discurso, com documentos, toda a sua relação com o HSBC e deste com o Senado. O resto são considerações pessoais e ilações sem importância, que não me cabe contestar."

 

Veja a íntegra da nota:

 

A propósito de informações divulgadas hoje pela imprensa sobre o seu discurso de ontem no Senado Federal, o Senador José Sarney, presidente do Senado Federal, presta os seguintes esclarecimentos:

 

1) "Os nomes de pessoas nomeadas para o Senado Federal, por mim relacionadas em meu discurso, são aquelas constantes das representações levadas ao Conselho de Ética. O fundamental, a esse respeito, foi demonstrar que não se tratava de nomeações feitas por mim, não me cabendo, portanto, responsabilidade sobre elas. O Artigo 5º da Constituição estabelece que nenhuma responsabilidade vai além do acusado, ou seja, não se transfere a outrem. Esse é o problema legal que se discute no Conselho de Ética. Além disso, refuto as insinuações de nepotismo cruzado, citando mais uma vez as testemunhas disponíveis. A bem da verdade, não se deve dar às ilações a aparência de fatos;

 

2) de fato, não conheço o Sr. Rodrigo Miguel Cruz, que trabalhava no gabinete da senadora Roseana Sarney. É este que está relacionado na denúncia do PSOL, que se baseia em O Estado de S. Paulo. O genro do Sr. Agaciel chama-se Rodrigo Luiz Lima Cruz e nem foi citado na representação;

 

3) em relação ao Sr. Luiz Cantuária, trata-se de pessoa que nunca conheci com esse nome, e sim como Lucas Barreto, como é conhecido por todos no Amapá o ex-deputado federal e ex-candidato a prefeito. Não é mais funcionário do Senado;

 

4) quanto a José Adriano Sarney, expliquei no discurso, com documentos, toda a sua relação com o HSBC e deste com o Senado. O resto são considerações pessoais e ilações sem importância, que não me cabe contestar."

 

Secretaria de Imprensa da Presidência do Senado Federal

 

Brasília, 06 de agosto de 2009"

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