Em nota, Renan nega espionagem contra senadores da oposição

DEM prepara quinta ação contra o presidente do Senado por suposta espionagem contra Demóstenes e Perillo

Nélia Marquez,

08 de outubro de 2007 | 13h03

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), pode enfrentar um quinto processo por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética. Em nota divulgada nesta segunda-feira, 8, Renan negou ter patrocinado a ação de seu assessor, o ex-senador Francisco Escórcio, que teria procurado o empresário Pedro Abrão para tentar obter provas e formar um dossiê contra os dois senadores. Renan afirmou que a acusação é "falsa" e que "práticas inescrupulosas" não fazem parte de seu "caráter".   Veja Também:   Especial: veja como foi a sessão que livrou Renan da cassação Cronologia do caso  Entenda os processos contra Renan  Fórum: dê a sua opinião sobre a decisão do Senado     A revista Veja publicou que Renan estaria por trás de um esquema de espionagem para vigiar e chantagear os senadores da oposição Demóstenes Torres (DEM) e Marconi Perillo (PSDB). O líder do DEM, senador José Agripino, afirmou nesta manhã que o partido aguarda explicações de Renan sobre as últimas denúncias e que pode abrir nova representação.   "Se ele (Renan) não der as explicações até amanhã (terça), o Demóstenes vai exigi-las em Plenário. Se não forem dadas ou, se mesmo dadas, não forem convincentes, o DEM vai entrar com uma representação", afirmou Agripino. Em entrevista à Agência Senado, Demóstenes afirmou ser favorável a que o partido entre com uma nova representação contra Renan. O corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM), também pretende investigar o suposto esquema de espionagem, segundo sua assessoria.   Agravo político   Está a cada dia mais difícil a situação política de Renan. Além dos adversários no Senado, Renan também terá de enfrentar, agora, a resistência da oposição e da cúpula do PMDB na Câmara, sem falar nos diretórios regionais de seu próprio partido em diversos Estados. Todos programam manifestações de protesto contra ele nos próximos dias, por conta da destituição de seus dois principais opositores na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Os senadores Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e Pedro Simon (PMDB-RS) foram afastados da CCJ na sexta-feira pelo líder peemedebista no Senado, Valdir Raupp (RO), numa operação comandada por Renan.   Se a decisão não for revista, o presidente nacional do PMDB, deputado Michel Temer (SP), levará a questão ao Conselho Nacional do partido na semana que vem. Terça-feira à noite, Jarbas e Simon serão homenageados com um jantar de desagravo organizado pela chamada "terceira via" da Câmara, composta por parlamentares da oposição que têm atuação independente. O encontro será realizado na casa do deputado José Aníbal, do PSDB de São Paulo.   Ameaçado por um quinto processo, Renan reforça sua aliança com o colega de partido Leomar Quintanilha. A irritação dos oposicionistas cresceu diante de mais uma demonstração de que Quintanilha, que preside o Conselho de Ética, leva a investigação no freio de mão. Na semana passada, ele prometeu, mas não cumpriu, por duas vezes, designar o relator da denúncia mais documentada contra Renan - a de que teria comprado duas rádios e um jornal com uso de laranjas.   Indignado com a demora, o vice-presidente do conselho, Aldemir Santana (DEM-DF), ofereceu-se para a vaga. Mas ouviu: "Não precisa. Já convidei outros senadores e estou à espera de resposta."   Íntegra da nota de Renan   "NOTA 1. Repudio, mais uma vez - com a veemência e indignação que a situação exige - as falsas acusações de que estaria usando servidores do Senado Federal para práticas inescrupulosas, imorais e ilegais. Isso não faz parte do meu caráter.   2. Na medida em que a verdade vai destruindo as falsas imputações pretéritas buscam-se novas tramas para indispor-me com a Casa, como já vimos no passado recente. Eu sim tive a vida devassada e não recorreria a indignidades como as que me foram falsamente atribuídas. É preciso ter responsabilidade e cobrar das fontes das maledicências as provas das acusações.   3. Manifesto, mais uma vez, o meu sincero respeito por todos os senhores senadores e senhoras senadoras, sem exceção, ilustres pares que, como eu, foram eleitos pelo voto popular e desempenham nesta Casa papel fundamental para o aperfeiçoamento da democracia e do Estado de Direito.   Brasília-DF, 08 de outubro de 2007. Senador Renan Calheiros"   (Com Agência Senado) (Colaboraram Rosa Costa, Ana Paula Scinocca e Christiane Samarco)

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