Em nota, PT critica Gil por demissões no ministério

A Secretaria Nacional de Cultura do PT criticou, em nota divulgada no site do partido na última terça-feira, o ministro da Cultura, Gilberto Gil, pelas demissões do presidente da Fundação Nacional da Arte (Funarte), Antonio Grassi, e do secretário de Articulação Institucional do Ministério da Cultura, Márcio Meira.Segundo a nota, trata-se do afastamento de dois servidores "competentes" e "comprometidos" com o programa apresentado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Além disso, o partido discorda da forma como foi os dois foram demitidos: "pela imprensa". Ainda de acordo com o PT, a atuação de Grassi na fundação "reergueu a instituição depois de um longo período de abandono" e Meira - na secretaria - abriu caminhos com os Estados para se constituir um sistema nacional de Cultura. No último dia 6, Gil afirmou que a saída de Grassi da presidência da Funarte ?ainda é assunto interno do Ministério da Cultura?. Cauteloso, ele não confirmou nem desmentiu a decisão, lamentou que o assunto tenha vazado, mas confirmou que houve uma sondagem ao músico e professor José Miguel Wisnik para ocupar o cargo. ?Ainda não conversamos porque ele está de férias?, informou o ministro.A Funarte é o órgão do governo que executa políticas públicas do MinC, especialmente nas áreas de pesquisa e produção. Os boatos sobre a saída de Grassi do cargo que ocupa desde 2003, começaram a circular no fim do ano e, na última quinta, veio a confirmação pelo secretário de Políticas Culturais do Ministério da Cultura, Alfredo Manevy. "Gil considera o trabalho de Grassi excelente, mas quer dar novo rumo ao setor." Para Grassi, filiado ao PT, sua demissão está relacionada com uma declaração do assessor da Presidência para Assuntos Internacionais e ex-presidente do PT, Marco Aurélio Garcia, de que o presidente Lula gostaria de "despetizar" o governo. "Deve ser coincidência que eu e o secretário de Articulação Institucional do MinC, Mário Meira, também do PT, estejamos para sair", comenta o ator. Embora troquem elogios, a relação entre Gil e Grassi tem arestas. Este nunca reivindicou a pasta da Cultura, mas a escolha de Gil em 2002, desagradou ao PT, que preferia alguém do partido. Quando José Dirceu era chefe da Casa Civil, houve uma reunião na casa da produtora Marisa Leão para influenciá-lo, mas quase todos os presentes, inclusive a dona da casa, eram neutros ou a favor de Gil e José Dirceu garantiu que ele era a trunfo de Lula para o setor. No fim do ano passado, quando Gil decidia se ficava, a comissão de cultura do PT emitiu um documento que, em resumo, pedia a sua permanência, mas caso ele saísse, o melhor nome para substituí-lo seria Grassi. Gil ficou e a permanência de Grassi no ministério é incerta. Colaborou Beatriz Coelho Silva

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.