Em nota, Força sindical, CSB e CTB reagem com 'estranheza' às declarações de Padilha

Durante evento com empresários, em São Paulo, Padilha afirmou que “temos que caminhar no rumo das terceirizações”

Ricardo Galhardo, O Estado de S. Paulo

17 de junho de 2016 | 12h29

Os presidentes da Força Sindical, Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB) e Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) reagiram com “estranheza” às declarações do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, em defesa da terceirização de trabalhadores.

“Causou-nos estranheza as declarações do ministro. Não vamos permitir qualquer mudança na legislação trabalhista que retire direitos dos trabalhadores. E qualquer ação de alteração, neste momento, sofrerá uma forte reação do movimento sindical”, diz a nota assinada por Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, um dos líderes do impeachment na Câmara, Adilson Araújo e Antonio Neto.

Na quarta-feira, 15, durante evento com empresários, em São Paulo, Padilha afirmou que “temos que caminhar no rumo das terceirizações”. Ele foi aplaudido pela plateia. Conforme os sindicalistas, a proposta de reforma trabalhista é levantada por “oportunistas de plantão” sempre que o Brasil entra em crise econômica e o governo do presidente em exercício Michel Temer precisa “ficar atento” para o tema.

Leia a íntegra da nota.

"Causou-nos estranheza as declarações do ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, publicadas nos meios de comunicações, informando que o atual governo pretende pressionar o Senado pela aprovação do  Projeto de Lei sobre a terceirização e sobre uma eventual reforma trabalhista.

É importante ressaltar, no caso da terceirização, que o fundamental é defender a regulamentação dos doze milhões de trabalhadores que, hoje, estão submetidos a uma legislação precária, que os penalizam de forma perversa.  Reafirmamos que somos contra a terceirização nas chamadas atividades-fins.

O  governo interino tem de estar atento, e precisa entender, que a terceirização, na forma que é praticada hoje, nada mais é que uma maneira de diminuir direitos.  Nas últimas décadas, o crescimento da terceirização resultou em relações de trabalho precarizadas, com aumento das situações de risco e do número de acidentes de trabalho e doenças profissionais, baixos níveis salariais, ampliação das jornadas de trabalho e crescimento da rotatividade da mão de obra.

Um projeto de lei deve garantir proteção social aos trabalhadores e estar assentado na isonomia de direitos, de salário e de tratamento dos terceirizados.

Vale destacar que, em todas as crises, os oportunistas de plantão levantam a bandeira da reforma trabalhista, apontando a mesma como solução para os problemas da economia e do mundo do trabalho. Não vamos permitir qualquer mudança na legislação trabalhista que retire direitos dos trabalhadores. E qualquer ação de alteração, neste momento, sofrerá uma forte reação do movimento sindical.

As prioridades do movimento sindical concentram-se na defesa de uma pauta trabalhista baseada na imediata redução da taxa de juros e na implementação  de políticas que priorizem a retomada do investimento, do crescimento da economia, a geração de empregos, a redução da desigualdade social, o combate à pobreza e a distribuição de renda."

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