Em nota, FHC critica apoio do PSDB a Chinaglia na Câmara

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou, por meio de nota, que considerou precipitada a decisão de maioria da bancada do PSDB na Câmara de prestar apoio à candidatura do petista Arlindo Chinaglia (SP) para a presidência da Câmara. O ex-presidente disse esperar um recuo da bancada. "Ainda há tempo para as lideranças pensarem na opinião pública e nos milhões de brasileiros que esperam do PSDB uma posição construtiva, mas oposicionista, para que possamos manter a esperança de dias melhores", afirmou.Na nota, FHC contou que, de férias em Maceió, foi informado pelo deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), de sua disposição de se candidatar à presidência da Câmara. "Respondi que, se ele se mantivesse candidato, não veria como o PSDB pudesse votar no candidato do PT", disse."Havendo uma cisão na base governista, à qual, pela lógica política, caberia à Presidência da Câmara, abrir-se-ia, uma alternativa para a oposição. Aliás, mais de uma, penso, pois o anúncio posterior de eventual candidato de outros agrupamentos oposicionistas amplia o espaço para um diálogo político mais conseqüente na linha da independência do Congresso nas questões institucionais e do não comprometimento com as tantas ´pizzas´ do passado recente".Por isso, FHC disse que deu ciência de sua conversa com Aldo Rebelo ao governador de São Paulo, José Serra, e ao líder do partido na Câmara, Jutahy Júnior (BA). Avisou ainda que o governador de Alagoas, Teotonio Vilela (PSDB), estava presente quando conversou com Aldo Rebelo. Leia a íntegra da nota:A respeito do apoio precipitado à candidatura do deputado Arlindo Chinaglia à presidência da Câmara de Deputados tenho a dizer que:1. Quando estava em férias em Natal, Maceió, fui informado pelo deputado Aldo Rabelo de sua disposição de se candidatar à presidência da Câmara. Respondi que, se ele se mantivesse candidato, não veria como o PSDB pudesse votar no candidato do PT.2. Havendo uma cisão na base governista, à qual, pela lógica política, caberia a Presidência da Câmara, abrir-se-ia, uma alternativa para a oposição. Aliás, mais de uma, penso, pois o anúncio posterior de eventual candidato de outros agrupamentos oposicionistas amplia o espaço para um diálogo político mais conseqüente na linha da independência do Congresso nas questões institucionais e do não comprometimento com as tantas "pizzas" do passado recente.3. Dei ciência ao governador de São Paulo e ao líder do partido na Câmara da conversa que mantivera com o deputado Aldo Rabelo, à qual esteve presente também o governador de Alagoas, Teotônio Vilela. Por isso, me surpreendeu a decisão, que considero precipitada, assegurar ao PT os votos do PSDB, sem discussão política mais profunda sobre as implicações e conseqüências do gesto. Ainda há tempo para as lideranças pensarem na opinião pública e nos milhões de brasileiros que esperam do PSDB uma posição construtiva, mas oposicionista, para que possamos manter a esperança de dias melhores.Fernando Henrique Cardoso

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