Em nota, Chalita diz que irá lutar por mandato de vereador

PSDB municipal anunciou nesta terça-feira que irá reaver na Justiça o mandato do vereador, que foi para o PSB

André Mascarenhas, do estadão.com.br,

06 de outubro de 2009 | 19h11

O vereador por São Paulo recém filiado ao PSB Gabriel Chalita respondeu nesta terça-feira, 6, à iniciativa da executiva municipal de seu antigo partido, o PSDB, de reaver seu mandato.

 

Ex-secretário estadual de Educação e aliado do ex-governador Geraldo Alckmin, Chalita anunciou sua desfiliação do PSDB no último dia 23, alegando motivos político-programáticos. Ele argumentou que busca "espaço adequado" para lutar pelas propostas em que acredita.

 

"Antes tentavam me impor o silêncio. Agora querem também o mandato", diz o vereador, que foi o mais votado do Brasil, em nota divulgada por sua assessoria de imprensa.

 

Veja Também

linkPSDB de São Paulo vai à Justiça para reaver mandato de Chalita

 

Dias após sua saída, Chalita criticou as políticas do governador José Serra e disse que não tinha espaço no partido por ser aliado de Alckmin. Na nota divulgada nesta terça-feira, ele reafirma as críticas.

 

"O governador José Serra fechou a metade das escolas em finais de semana e diminuiu as de tempo integral, além de não dar aos professores o devido valor. Não posso concordar com isso", diz o texto.

 

O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou em 2007 que o mandato é do partido pelo qual o político foi eleito, e não do ocupante da vaga. A Corte, entretanto, abriu duas exceções: em casos de perseguição política e de mudança de diretrizes políticas da agremiação.

 

São nessas exceções que deve se apoiar a defesa do vereador. "O atual comando do PSDB contraria as posições históricas de Franco Montoro e Mário Covas e se opõe ao próprio programa da Social Democracia", afirma a nota.

 

Leia a íntegra do texto:

 

"NOTA OFICIAL

Antes tentavam me impor o silêncio. Agora querem também o mandato. Pelo imperativo ético de respeito a meus eleitores, nesses dez meses de exercício da vereança, jamais deixei de cumprir exemplarmente meus deveres constitucionais. Jamais faltei a uma sessão da Câmara. Jamais negligenciei o trabalho nas comissões. Sempre mantive as portas de meu gabinete abertas aos munícipes.

 

Mesmo tendo sido o vereador mais votado do Brasil, nas eleições municipais do ano passado, não tive voz nem voto em qualquer instância partidária. Essa falta de respeito atinge todos os 102.048 paulistanos que me honraram com seus votos. E é em respeito a eles, que defenderei meu mandato.

 

Na minha história política, sempre fui coerente com os valores da dignidade humana. A escola de tempo integral, as escolas abertas em finais de semana, a luta pela valorização do magistério paulista, entre outras, sempre foram defendidos na minha gestão como secretário estadual da Educação e na minha plataforma como candidato a vereador. O governador José Serra fechou a metade das escolas em finais de semana e diminuiu as de tempo integral, além de não dar aos professores o devido valor. Não posso concordar com isso. O atual comando do PSDB contraria as posições históricas de Franco Montoro e Mário Covas e se opõe ao próprio programa da Social Democracia.

 

O PSDB acaba de receber vários políticos vindos de outros partidos, entre eles, Rita Camata, Flávio Arns e Geraldo Vinholi. Deveriam eles também perder os seus mandatos?

 

O presidente do partido disse que o que pesou em favor da decisão de ir à Justiça foram as críticas a Serra. Isso é democracia? Minhas críticas não foram pessoais. Por que a retaliação?

 

Confio na Justiça.

 

São Paulo, 6 de outubro de 2009

 

Vereador Gabriel Chalita"

 

 

 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.