Em nota, Barbosa diz que adiamento é 'manobra' de deputados

No texto, ex-secretário do GDF afirma que recurso servirá para que deputados distritais se 'organizem'

Carol Pires, da Agência Estado,

26 de janeiro de 2010 | 13h01

O ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa, delator do esquema de corrupção conhecido como "Mensalão do DEM", divulgou nota na noite da última segunda-feira, 25, com a explicação para o pedido de adiamento do seu depoimento à CPI da Corrupção da Câmara Legislativa. Segundo Durval, "na condição de denunciante da maior roubalheira documentada, já vista no Brasil, não poderia, jamais me submeter a questionamentos meramente políticos, oriundos de parlamentares pertencentes a uma Casa apoteoticamente desorganizada político e administrativamente".

 

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A nota do ex-secretário foi publicado no Blog da Paola, site da jornalista Paola Lima, de Brasília. A autoria do texto foi confirmada por Everardo Ribeiro, advogado de Durval Barbosa. Barbosa é o autor de dezenas de vídeos, anexados à Operação Caixa de Pandora, que deflagrou o esquema de corrupção do qual o governador José Roberto Arruda seria beneficiário e mentor.

 

No texto, Durval Barbosa afirma que o adiamento da oitiva servirá para que os deputados se "organizem" e "falem uma linguagem da qual a sociedade possa concordar". "Qual seria essa linguagem? Eu diria verdadeiramente a seriedade e vontade de ver brotar a verdade, sem vaidade oca, sem partidarismo. Assim sim. Eu topo já já. Mas organizem-se primeiro", afirma.

 

Durval Barbosa deveria depor na manhã desta terça-feira, 26, à CPI da Corrupção, mas, no final do dia de ontem, os deputados da comissão concordaram em adiar a oitiva após receberem dois ofícios do ex-secretário. Em um, Durval alega precisar de "mais tempo para juntar mais subsídios com vista à elucidação dos fatos". No outro, sua defesa afirma que a "diversidade e tendências políticas dos inquisidores" poderia fazer com que depoente "ofertasse respostas prejudiciais ao exercício da ampla defesa".

 

O presidente da CPI, Alírio Neto (PPS), informou, então, que uma comissão de deputados consultará o Ministério Público antes de remarcar o depoimento. O pedido de Durval Barbosa agrada governistas que, desde o início, estavam reticentes quanto ao depoimento do ex-secretário que confidenciou a advogados que não usará o direito de ficar calado, e deve trazer fatos novos que comprometeriam ainda mais governador José Roberto Arruda.

 

Leia a nota na íntegra:

"Na condição de denunciante da maior roubalheira documentada, já vista no Brasil, não poderia, jamais me submeter a questionamentos meramente políticos, oriundos de parlamentares pertencentes à uma Casa apoteoticamente desorganizada político e administrativamente.

 

As revelações tão esperadas pela sociedade como um todo, caso existisse, de nada valeria para as apurações da verdade, pelo menos nesse momento, onde se disputa a presidência da casa, cargos em comissões temáticas, bem como a queda de braço entre situação x oposição, com direito à torcidas organizadas.

 

A mudança de data para o meu depoimento, caso queiram os nobres deputados, serve somente para que eles (deputados) se organizem. Comecem a falar uma linguagem da qual a sociedade possa concordar. Qual seria essa linguagem? Eu diria verdadeiramente a seriedade e vontade de ver brotar a verdade, sem vaidade oca, sem partidarismo.

 

Assim sim. Eu topo já já. Mas organizem-se primeiro.

 

Os requerimentos de alteração de data serviram somente para isso. Pedir respeito ao povo. Jamais iria para um ringue, onde serão distribuídos vários safanões, com a ausência de organização e seriedade. Estou à disposição. Qualquer dia e hora.

 

Um abraço de

 

DURVAL BARBOSA"

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