Em nota, Planalto diz esperar que fatos contra ministros do governo sejam esclarecidos

Integrantes do primeiro escalão foram alvos de nova fase da Operação Lava Jato, assim como autoridades como o presidente da Câmara, Eduardo Cunha

Tânia Monteiro, O Estado de S. Paulo

15 de dezembro de 2015 | 11h53

BRASÍLIA -  A Secretaria de Imprensa e Divulgação do Palácio do Planalto divulgou,  nesta terça-feira, 15, nota oficial sobre a Operação Catilinárias que cumpre 53 mandados de busca e apreensão, inclusive na casa e no gabinete do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e de dois ministros de Estado - Celso Pansera (Ciência e Tecnologia) e Henrique Eduardo Alves (Turismo) - ambos do PMDB. "O Governo Federal espera que todos os fatos investigados na nova fase da Operação Lava Jato envolvendo Ministros de Estado e outras autoridades sejam esclarecidos o mais breve possível, e que a verdade se estabeleça", disse a nota do Planalto, distribuída e confeccionada por orientação da presidente Dilma Rousseff, que, neste momento, está em Congonhas, Minas Gerais, para cumprir agenda oficial. 

A nota diz ainda que espera "que todos os investigados possam apresentar suas defesas dentro do princípio do contraditório, e que esse processo fortaleça as instituições brasileiras". No texto, o Palácio do Planalto evitou citar os nomes dos dois ministros do PMDB atingidos pela operação, que tiveram suas residências vistoriadas pela Polícia Federal.

Embora as primeiras informações divulgadas por fontes do Planalto sejam de que não há intenção da presidente Dilma, pelo menos por enquanto, em afastar os ministros peemedebistas que foram alvo da operação da PF, há uma preocupação muito grande com a extensão da operação e os estragos que possa provocar na já combalida base governista. 

A preocupação do governo, neste momento, é com  a instabilidade politica criada com esta nova fase da operação Lava Jato. O Planalto avalia que a relação com o PMDB vai piorar com esses nova ação da PF. Também são alvos da operação os senadores e ex-ministros Edison Lobão (PMDB-MA) e Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), além da sede do PMDB em Alagoas, Estado do presidente do Senado, Renan Calheiros.

Líderes. Antes de embarcar, Dilma conversou com seus ministros e acertou a nota oficial. Os ministros ligados diretamente à presidente Dilma Rousseff, Jaques Wagner, da Casa Civil, e Ricardo Berzoini, da Secretaria de Governo, e Edinho Silva, da Secretaria de Comunicação, estão no Planalto cumprindo suas agendas. Berzoini estava prestes a iniciar uma reunião de coordenação política com os líderes da base aliada, tradicionalmente realizada às terças. A operação da PF dominava a conversa entre os líderes, ao chegarem ao Planalto.

O novo líder do PMDB, Leonardo Quintão (MG), que participa pela primeira vez da reunião de líderes, limitou-se a dizer  ao Estado que "decisão da Justiça tem de ser respeitada".

Entre os líderes que chegaram ao Planalto, o clima era de perplexidade e eles diziam, sem quererem dar declarações, que certamente nesta terça não haverá condições de ser realizada sessão na Câmara dos Deputados e que, agora, Eduardo Cunha perde a condição de conduzir os trabalhos na Casa.

O vice-presidente Michel Temer, por sua vez, que tinha agenda a ser cumprida no anexo do Planalto, às 11 horas, com o deputado Domingos Neto (PMDB-CE), cancelou o encontro, segundo a sua assessoria, por pedido do próprio parlamentar que não teria conseguido chegar a Brasília. Temer decidiu então, permanecer no Jaburu nesta manhã.

A Polícia Federal faz nesta terça-feira, 15, por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) uma operação de busca e apreensão na residência oficial da presidência da Câmara e endereços de Eduardo Cunha, em Brasília e  no Rio. O deputado é acusado por corrupção e lavagem de dinheiro pela Procuradoria-Geral da República, nas investigações da Lava Jato. 

A operação da PF tem outros alvos: além dos ministros do governo, os senadores Edison Lobão (PMDB-MA) e Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), os deputados Aníbal Gomes (PMDB-CE) e Áureo Lídio (SD-RJ), o prefeito de Nova Iguaçu, Nelson Bornier (PMDB-RJ), o ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal, Fábio Cleto (aliado de Cunha e exonerado na semana passada pela presidente Dilma), Aldo Guedes - ex-sócio de Eduardo Campos -, Lúcio Bolonha Funaro - delator do Mensalão -, Altair Alves Pinto - emissário de propina de Cunha, segundo os investigadores - e o ex-presidente da Transpetro Sergio Machado foram alvo de busca e apreensão.

Leia a íntegra da nota do Palácio do Planalto:

Nota à imprensa 

O Governo Federal espera que todos os fatos investigados na nova fase da Operação Lava Jato envolvendo Ministros de Estado e outras autoridades sejam esclarecidos o mais breve possível, e que a verdade se estabeleça.

Que todos os investigados possam apresentar suas defesas dentro do princípio do contraditório, e que esse processo fortaleça as instituições brasileiras.

 

Secretaria de Imprensa

Secom/Presidência da República

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