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Em nota, líder do PSDB diz ser 'atípico' a manutenção de Maria Thereza em ação contra Dilma

Cássio Cunha Lima, que já teve mandato cassado pela corte eleitoral, comentou decisão do presidente do TSE, ministro Dias Toffoli

Ricardo Brito, O Estado de S. Paulo

07 Novembro 2015 | 16h10

Brasília - O líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), divulgou nota neste sábado, 7, em que classifica como "atípica e incomum" a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de manter a ministra Maria Thereza de Assis Moura como relatora da ação que pede a cassação do diploma eleitoral da presidente Dilma Rousseff e do vice Michel Temer. A decisão foi do presidente da Corte, ministro Dias Toffoli, ao argumentar que o deslocamento da relatoria "não encontra respaldo legal ou regimental". O próprio tucano já foi cassado em 2008 pela corte eleitoral quando era governador da Paraíba por ter distribuídos cheques com dinheiro público para população carente durante sua campanha à reeleição.

"A ministra Maria Thereza foi vencida. Não é praxe o vencido ser relator. A própria ministra fez declaração neste sentido. Não há nenhuma desconfiança na autonomia, independência e imparcialidade da ministra, que tem o nosso respeito, mas, reconheçamos que é algo estranho e inusual", disse o tucano, em nota.

Antes de tomar sua decisão, Toffoli chegou a convocar os advogados de ambas as partes para falar sobre a escolha da condução do processo. Em fevereiro, a ministra havia individualmente negado seguimento à ação, mas, após recurso do PSDB, autor do pedido, em outubro o TSE autorizou por cinco votos a dois a instauração do processo, no primeiro caso de impugnação de mandato aberta contra um presidente desde 1937.

Para Cássio Cunha Lima, contudo, Dilma terá o mandato cassado pela Justiça Eleitoral, independentemente de quem seja o relator. "As provas são robustas e cabais. Nossa legislação eleitoral é muito dura e pune esses abusos praticados com a perda de mandato", afirmou. "Tenho certeza de que a Corte Eleitoral saberá preservar a norma, que vale para todos, e fortalecer a democracia, combatendo eleições viciadas pelo abuso de poder e corrupção", completou. 

O líder do PSDB - um dos principais entusiastas da impugnação do resultado eleitoral até como solução para a crise política, por levar a uma nova eleição presidencial - disse que só há dois caminhos. Segundo ele, ou se preserva a lei, a Justiça Eleitoral e a própria República ou se fará um "gigantesco esforço" para salvar Dilma dos crimes praticados. Para o tucano, salvá-la significa enfraquecer a República. (Ricardo Brito - ricardo.brito@estadao.com)

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