Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Executiva do PT aponta falta de 'comunicação eficiente' do governo

Apesar das críticas ao anúncio do pacote de austeridade, o partido diz que a proposta de recriar a CPMF foi positiva

Ricardo Galhardo e André Ítalo Rocha, O Estado de S. Paulo

17 de setembro de 2015 | 19h47

São Paulo - Três dias depois de o governo propor um pacote com medidas de austeridade para as contas públicas, a Executiva Nacional do PT lançou um documento no qual diz que, "como em outras ocasiões, faltou ao governo diálogo prévio e comunicação eficiente". Apesar disso, o partido diz que a proposta de recriar a CPMF foi positiva, "agora com destinação para a Previdência, e não mais para a Saúde".

"No âmbito do debate congressual, seria oportuno que nossas bancadas apresentassem emenda para incluir uma faixa de isenção da CPMF", afirma o documento. A executiva do PT afirma também que "ao contrário do início do ano, quando o ajuste incidiu sobre direitos trabalhistas e previdenciários, dessa vez a conta chegou ao andar de cima, como, por exemplo, o aumento da alíquota de juros sobre o capital próprio", diz.

Para a Executiva, ficaram de fora do pacote decisões sobre taxações de grandes fortunas, grandes heranças, combate à sonegação e sobre distribuição de lucros e dividendos. 

Presente no encontro da Executiva, o presidente da sigla, Rui Falcão, afirmou que a política econômica do governo precisa ser reorientada, mas que fatores conjunturais devem ser levados em consideração. "Temos que levar em conta a governabilidade, o fato de o governo ser policlassista e multipartidário, as circunstâncias internacionais, a evolução da crise, o fato de a taxa de juros só não ser rebaixada por ordem presidencial", disse.

"Mas essa nossa posição a imprensa já conhece, nós a definimos no Congresso Nacional do partido em Salvador (realizado no primeiro semestre deste ano)", acrescentou. A declaração foi dada em resposta a uma pergunta sobre o boato de que o PT e o Instituto Lula estariam formulando um texto para dar uma nova cara à política econômica do governo. Falcão disse ainda que não pode responder pelo Instituto Lula, mas somente pelo PT. 

Kátia Abreu. Falcão também comentou sobre a reforma ministerial do governo e disse que não recebeu nenhuma informação sobre uma possível ida da ministra da Agricultura, Katia Abreu, para a Casa Civil e que, mesmo que o atual ocupante do cargo, Aloizio Mercadante, seja substituído, não deverá ser por alguém que não seja do PT.

"Não me consta que ela será designada para a Casa Civil, me consta que ela está feliz onde está. E também não recebi nenhuma informação de que a Casa Civil será ocupada por alguém que não seja do PT", disse. Segundo Falcão, o partido defende a manutenção de Mercadante, que "tem desempenhado bem a sua função".

Apesar disso, Falcão sugeriu que a presidente poderia destacar outro ministro para cuidar da articulação política com os parlamentares. Questionado sobre se essa sugestão seria uma mostra de que a sigla está insatisfeita com o trabalho de Mercadante com o Congresso, Falcão descartou essa possibilidade ao lembrar que esta função era exercida anteriormente pela secretaria de Relações Institucionais.

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