Temer diz a Dilma que manterá relação ‘institucional’

Vice foi chamado para uma conversa no Planalto após a divulgação de uma carta enviada por ele a Dilma na qual o peemedebista reclama da falta de confiança da presidente

TÂNIA MONTEIRO, VERA ROSA, ISADORA PERON e CARLA ARAÚJO, O Estado de S. Paulo

09 de dezembro de 2015 | 22h04

Brasília - Dois dias depois de receber uma carta do vice Michel Temer na qual ele disse que sempre foi “menosprezado” pelo governo, a presidente Dilma Rousseff se reuniu nesta quarta-feira, 9, com o peemedebista, no Palácio do Planalto, e fez um apelo pelo entendimento. O diálogo durou apenas 50 minutos. Ameaçada pelo impeachment, Dilma declarou estar disposta a corrigir falhas do governo e a melhorar a relação com o vice e com o PMDB. Temer afirmou que cumpriria suas funções institucionais.

O vice reiterou os termos da carta em que se queixou de desconfiança por parte de Dilma. A presidente disse que refletiu sobre a correspondência e deu razão a Temer em alguns pontos, como os problemas na articulação política, fazendo uma espécie de mea-culpa. Ao mencionar a tensão no PMDB, o vice afirmou que está conversando com todas as alas do partido, mas sem tomar lado.

Temer aconselhou Dilma a não entrar na briga existente na bancada do PMDB na Câmara, que culminou com a destituição do líder Leonardo Picciani (RJ), sob o argumento de que há deputados querendo antecipar a convenção do partido, prevista para março de 2016, e anunciar logo o rompimento com governo. Ele negou que esteja fazendo uma dobradinha com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Apesar de auxiliares de Dilma e Temer dizerem que a conversa serviu para um “distensionamento”, ficou claro, ali, que um sabe que não pode contar com o outro.

Após a reunião, a presidente e o vice acertaram que dariam declarações curtas para evitar expor divergências. “Combinamos, eu e a presidente Dilma, de manter uma relação pessoal e institucional que seja a mais fértil possível”, disse Temer. Em nota, Dilma foi na mesma linha. “Na nossa conversa, eu e o vice-presidente Michel Temer decidimos que teremos uma relação extremamente profícua, tanto pessoal quanto institucionalmente, sempre considerando os maiores interesses do País”, escreveu ela.

Dilma havia planejado jantar com Temer, mas acabou optando por uma conversa no Planalto. Os ministros Jaques Wagner (Casa Civil), Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo) e José Eduardo Cardozo (Justiça) ficaram numa sala ao lado do gabinete presidencial. Depois se reuniram com Dilma, no Palácio da Alvorada, enquanto Temer foi jantar com senadores, na casa do líder do PMDB, Eunício Oliveira (CE).

‘Normalidade’. Antes de se encontrar com Dilma, o vice defendeu a eleição da chapa de oposição ao governo para a Comissão Especial que vai analisar o impeachment de Dilma na Câmara e que acabou paralisada por decisão do Supremo Tribunal Federal. A declaração do vice contrariou a posição do Palácio do Planalto, que avaliou como ilegal a decisão dos deputados.

Ao comentar a derrota do governo na formação da comissão, Temer disse que a eleição “foi feita no exercício legítimo da competência da Câmara dos Deputados”. Afirmou, ainda, que o Supremo também fez o seu papel. “Isso revela exatamente que nós vivemos num regime de uma normalidade democrática extraordinária. As instituições estão funcionando, devemos preservar aquilo que as instituições estão fazendo. E revelar com isso a democracia plena do País”, disse Temer.

Berzoini tentou minimizar a divergência com Temer e afirmou ser “democrático e legítimo” haver opiniões diferentes sobre o assunto dentro do governo. Na avaliação do Planalto, o clima de rebelião na Câmara piorou após o vazamento da carta escrita por Temer com críticas à presidente. O vice também recebeu ontem em sua residência oficial, no Palácio do Jaburu, diversos aliados que já se manifestaram a favor do impeachment. Um deles foi o novo líder do PMDB na Câmara, Leonardo Quintão (MG), que assumiu o cargo após a destituição de Picciani (RJ).

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