Alexandre Guzanshe/O Tempo
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Em Minas, Marina critica polarização entre PT e PSDB

'Diálogo é fundamental para que se qualifique uma base no Congresso e não se fique refém de fisiologismo'

Eduardo Kattah, de O Estado de S.Paulo,

05 de outubro de 2009 | 19h37

A senadora Marina Silva (AC), pré-candidata do PV à Presidência da República, afirmou nesta segunda-feira, 5, que o maior desafio político do futuro governo é promover o diálogo entre o PT e o PSDB.

 

Marina deixou em aberto a possibilidade de eventual aliança com petistas ou tucanos em 2010, ressaltando, porém, que reprova o que chamou de "forma destrutiva" de fazer política. "É fundamental que, naquilo que é essencial para o País, haja a possibilidade de diálogo (entre PSDB e PT) para que se qualifique uma base de sustentação dentro do Congresso e não se fique refém de qualquer forma de fisiologismo", disse a senadora, durante visita a Ipatinga, no Vale do Aço mineiro.

 

Após discursar em um parque ecológico da cidade, Marina reiterou que o PV decidiu pela candidatura própria ao Palácio do Planalto. Ela, no entanto, fez questão de elogiar os "avanços" alcançados dos governos Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva.

 

"Estamos num processo, queremos disputar, queremos participar. Obviamente, com a clareza daqueles que querem fazer política sem ser de forma destrutiva. Não temos nenhum problema em reconhecer os avanços desses últimos 16 anos da política econômica", ressaltou, citando a consolidação do Plano Real durante a gestão FHC e a distribuição de renda com "equilíbrio econômico" no governo Lula.

 

Marina também aproveitou para reafirmar sua principal bandeira de campanha. "A história não para aí e queremos dar continuidade ao processo de mudança. E a mudança é mudar o modelo de desenvolvimento, da forma insustentável para a sustentável".

 

A entrada da senadora na disputa presidencial foi o primeiro indício de que a eleição em 2010 não deverá se resumir a uma briga "plebiscitária" entre PT e PSDB. Para a pré-candidata do PV, é preciso "acreditar que é possível fazer diferente" na política brasileira.

 

"Se fosse para aderir a qualquer esquema espúrio eu preferiria me ausentar", afirmou, citando a necessidade de convergência entre petistas e tucanos. "Acho que o grande desafio é fazer um diálogo entre os partidos que hoje não conversam, que é o PT e o PSDB".

 

Ciro Gomes

 

Marina voltou a condenar a "forma destrutiva de fazer política" ao ser questionada sobre a declaração do deputado federal e pré-candidato do PSB, Ciro Gomes, que disse que o governador de São Paulo, José Serra - que disputa a indicação no PSDB com o colega mineiro Aécio Neves -, é mais feio na alma do que no rosto.

 

Sem citar o nome do deputado socialista, disse que espera que este seja "um momento de discutir ideias, de discutir propostas". "Eu prefiro que a política estabeleça o debate e não o embate", afirmou. "Prefiro que a gente estabeleça o debate, o diálogo, do que qualquer forma destrutiva de fazer política sem respeitar o interlocutor".

 

Embora cumprisse uma extensa agenda na cidade do Vale do Aço - sede da siderúrgica Usiminas e um dos principais redutos petistas do Estado -, a senadora negou que estivesse em campanha e classificou a visita como uma agenda de trabalho. Ela foi recepcionada por integrantes do PV mineiro e pelo ex-prefeito Chico Ferramenta (PT), que venceu as eleições de outubro do ano passado, mas teve o registro cassado e não tomou posse devido a irregularidades apontadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) nas suas gestões anteriores.

 

Do aeroporto da cidade, Marina seguiu para o Parque Ipanema, onde discursou e concedeu coletiva. Em seguida, visitaria a sede do 14º Batalhão da Polícia Militar (PM) e uma instituição de caridade. Depois, participaria de evento na igreja Assembleia de Deus e à noite daria palestra a universitários dos cursos de Engenharia Ambiental e Serviço Social de uma universidade local. A programação seria encerrada com um jantar com integrantes do PV em Minas.

 

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