Em MG, Dilma afirma que não quer polêmica sobre decisão de procuradora

Na avaliação do PT, Sandra Cureau teria sido mais rigorosa ao pedir investigações contra o presidente Lula

Brás Henrique,

20 Julho 2010 | 14h34

UBERLÂNDIA (MG) - O contato corpo-a-corpo da candidata do PT à Presidência Dilma Rousseff com os eleitores de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, nesta terça-feira, 20, durou pouco mais de 20 minutos, antes de cumprir sua agenda em Montes Claros (MG). O contato com a imprensa foi quase inexistente, resumindo-se à confirmação de uma declaração anterior e a responder apenas que não iria "polemizar" a questão envolvendo a vice-procuradora-geral eleitoral, Sandra Cureau. O comando petista estuda se seria conveniente entrar com uma representação no Conselho Nacional do Ministério Público contra a procuradora.

 

Para Dilma, Sandra Cureau deve ter dois pesos e duas medidas envolvendo os candidatos na disputa eleitoral. Na avaliação do PT, a procuradora teria sido mais rigorosa ao pedir investigações contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que estaria abusando do poder em campanha pró-Dilma, do que contra o principal rival no pleito, José Serra (PSDB).

 

Não às acusações - Dilma, na única pronúncia à imprensa (exceto duas entrevistas exclusivas gravadas para emissoras de televisão da cidade), voltou a afirmar que não entrará no embate de críticas e acusações contra o adversário tucano. O vice de Serra, Índio da Costa (DEM), disse ao site Mobiliza PSDB, que o PT tem ligações com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o narcotráfico. Serra não falou, depois, sobre vínculo petista com o narcotráfico, mas afirmou que o PT é ligado às Farc.

 

"O que declarei ontem, 19, é que jamais imaginei que diante da adversidade, o meu adversário recorresse a certas atitudes que eu considero que não honram uma campanha eleitoral num País como o Brasil", iniciou a petista Dilma. "Acho que o Brasil exige de nós qualidade nesse debate eleitoral, exige apresentação de propostas, exige um debate de alto nível", continuou ela. "Da minha parte eu quero dizer que não descerei a esse nível, e não haverá ninguém capaz de me fazer descer a esse nível", emendou a presidenciável.

 

Dilma Rousseff finalizou afirmando que discorda desse tipo de agressão. "Eu não concordo em continuar esse tipo de polêmica; não é questões (sic) que o povo merece escutar, ouvir, discutir e ter os seus candidatos apresentando para eles", seguiu ela. E encerrou: "Em respeito ao povo, que eu não acho admissível isso." Em seguida, Dilma saiu para um rápido corpo-a-corpo, caminhando meio quarteirão, acompanhada do candidato ao governo mineiro, Hélio Costa (PMDB), do vice de Costa, Patrus Ananias (PT), e do candidato ao Senado Fernando Pimentel (PT).

 

Depois, Dilma subiu num jipe para acenar aos correligionários (maioria, com uniformes e bandeiras), a populares e lojistas no centro de Uberlândia. Três quarteirões e meio depois, a petista entrou no Real Café, uma tradicional lanchonete, para tomar café e água e petiscar pão de queijo, queijo mineiro e biscoito de polvilho. A lanchonete é conhecida popularmente como Butantã, pois "cobras" (pessoas influentes) passam por lá. O proprietário Damião Ferreira Martos, há nove anos ali, disse que é neutro na política, pois sempre recebe visitas de políticos, de vários partidos. O local existe há mais de 60 anos. Segundo Martos, em 2006 o tucano Geraldo Alckmin passou na lanchonete três vezes durante a campanha, além de Cristóvão Buarque. "Só o Lula não veio", lamentou ele. Na sequência, Dilma encerrou seu compromisso em Uberlândia.

 

Antes do contato com o eleitorado, Dilma gravou duas entrevistas exclusivas para duas emissoras de TV da região. A TV Integração (afiliada da TV Globo) transmitiria a gravação em seu jornal noturno. A TV Paranaíba (afiliada da TV Record) divulgou a entrevista, de menos de dez minutos, no programa Balanço Regional, entre 13h20 e 13h30. Nessa entrevista, Dilma falou de assuntos regionais, como o motivo de não ter participado da inauguração de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), no mês passado, ao lado de Lula. "A Justiça Eleitoral não permite", justificou ela.

 

Dilma disse que aposta no voto feminino, pois as mulheres querem educação de qualidade, acesso decente à saúde e proteção dos jovens contra a violência, o crime organizado e as drogas. "Tenho certeza que toda mulher quer isso", comentou a petista, encerrando com a promessa de continuar mantendo a estabilidade econômica, mas também com crescimento do País. "Com Lula entramos numa nova era", concluiu ela.

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