Em MG, Ananias condiciona entrada como vice na chapa de Hélio Costa

A possibilidade do ex-ministro aceitar ser vice do senador na disputa pelo governo de Minas depende de uma proposta de 'aliança programática'

Eduardo Kattah, de O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2010 | 18h16

BELO HORIZONTE - Mais do que de apelos, a possibilidade de Patrus Ananias (PT) aceitar ser vice em uma chapa encabeçada pelo senador Hélio Costa (PMDB) ao governo de Minas depende de uma proposta de "aliança programática". O ex-ministro do Desenvolvimento Social condiciona sua entrada na chapa à discussão do programa de governo do peemedebista, que venceu a queda de braço com o ex-prefeito Fernando Pimentel, impedindo o PT de ter candidato próprio no Estado.

 

Considerado peça estratégica para que Costa consiga arregimentar a militância para a futura campanha e evitar o "corpo mole" dos petistas, Patrus resiste à ideia. A aliados, o ex-ministro repetiu nos últimos dias que ainda avalia a opção de não disputar um mandato e nem ocupar cargos públicos futuramente, se dedicando a um período de estudos e militância política e social.

 

"O caminho estaria em abrir para uma questão programática", observou nesta terça-feira, 8, o presidente da Fundação Perseu Abramo, Nilmário Miranda, ex-presidente do PT-MG e alinhado com o ex-ministro. "Deve-se fazer uma operação para trazer o Patrus para a chapa e garantir um interesse maior do PT nas eleições. Eu vejo o seguinte: até agora não se falou em programa de governo, então tem tudo para não dar certo."

 

A mesma avaliação vem sendo feita pelas correntes de Patrus e Pimentel no PT mineiro. Para o deputado federal Virgílio Guimarães (PT-MG), também cotado para o cargo de vice na chapa, "é fundamental" que o partido se identifique e participe da formulação do programa de governo. "Se a indicação do vice fosse hoje, eu nem sei se o PT indicaria."

 

Desde que foi derrotado por Pimentel na prévia do PT-MG, o ex-ministro se recolheu e tem evitado aparições públicas. Na semana passada, porém, encontrou-se com Costa e o ex-prefeito. O peemedebista já fez chegar a Patrus uma proposta de "governo compartilhado" com os petistas, mas o ex-ministro aguardava a definição do quadro para refletir e tomar uma decisão, sem deixar de lado os aspectos pessoais.

 

"Guru"

 

Possíveis apelos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice-presidente José Alencar - a quem Patrus chama carinhosamente de "guru" - podem influenciar bastante na decisão do ex-ministro, admitem correligionários. A aliança com Costa não chega causar o mesmo incômodo e constrangimento provocados pela coalizão envolvendo Newton Cardoso (PMDB) - candidato ao Senado - em 2006. Para aliados de Patrus, a experiência no Ministério do governo Lula serviu como uma espécie de "purificação" social para o pré-candidato do PMDB.

 

Desigualdade social

 

Virgílio observa que seu nome está "disponível", mas a "questão não é só de nome". "É de identidade das bases do partido com a campanha", destacou. "Se o PMDB acenar com a discussão de um programa de governo que enfrente a desigualdade social e regional abissal de Minas, isso pode atrair o Patrus", reforçou Nilmário.

 

O deputado admite que hoje dificilmente o PT faria uma coligação para as eleições proporcionais com o PM DB. A questão é levada em conta e também envolve Patrus porque o ex-ministro é considerado um grande puxador de votos para a Câmara dos Deputados.

 

No dia seguinte ao anúncio da candidatura de Costa, líderes petistas procuraram passar uma mensagem de engajamento na candidatura do peemedebista. O vice-prefeito de Belo Horizonte e presidente do PT municipal, Roberto Carvalho, divulgou nota afirmando que o PMDB é "peça essencial da campanha" em Minas e no Brasil.

 

PSB

 

Costa, contudo, terá de trabalhar para evitar que partidos da base aliada migrem para a candidatura do governador Antonio Anastasia (PSDB), como sinaliza o PSB e o PR. O prefeito da capital, Márcio Lacerda (PSB) - que sofreu a oposição ferrenha do PMDB na eleição de 2008 -, disse nesta terça que a posição do partido em Minas será definida numa reunião na quarta, 9. "Há uma tendência pró-Anastasia", admitiu, porém, o ex-secretário municipal, Mário Assad Júnior.

 

O pré-candidato tucano, por sua vez, já comemora possíveis novos apoios. "O nosso lado está cada vez mais forte."

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