Em MG, Ananias atribui crescimento da oposição à 'fragilização da militância do PT'

'Sinto que a militância do PT ficou machucada com o processo de 2008', afirmou

'Sinto que a militância do PT ficou machucada com o processo de 2008', afirmou

28 de setembro de 2010 | 18h18

BELO HORIZONTE - O crescimento das intenções de voto em Antonio Anastasia (PSDB) e a perspectiva de vitória do governador tucano e candidato à reeleição no primeiro turno fizeram recrudescer feridas abertas no PT-MG e as dificuldades para a formação da aliança com o PMDB na disputa pelo Palácio Tiradentes. O candidato a vice na chapa encabeçada por Hélio Costa (PMDB), Patrus Ananias (PT), culpou a aliança entre seu colega de partido, o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel - candidato ao Senado -, e o ex-governador Aécio Neves (PSDB) na eleição para a prefeitura de Belo Horizonte, em 2008, pelo que chamou de fragilização da militância petista na capital e região metropolitana. A Grande BH é uma das regiões do Estado onde a candidatura de Anastasia mais cresceu.

 

"Sinto que a militância do PT ficou machucada com o processo de 2008. Para mim, o processo está resolvido. Mas é sempre bom resgatarmos para não perdermos a memória. Nós tínhamos a hegemonia, a liderança do processo políticos em Belo Horizonte e abrimos mão disso. Sobretudo, estou sentindo que isso deixou muito ferida, muito machucada nossa militância", afirmou nesta segunda-feira, 27, Patrus, após um ato de campanha.

 

A declaração do ex-ministro do Desenvolvimento Social vocalizou um descontentamento, até então velado, da chapa ao governo com campanha "descolada" de Pimentel, que deixou o Executivo municipal com índices elevados de popularidade. Patrus foi contra a aliança que elegeu Márcio Lacerda (PSB). "A nossa força está, sobretudo, nas pessoas que nos apoiam. Não temos condições de disputar economicamente com o nosso adversário", ressaltou.

 

Nos bastidores, peemedebistas e interlocutores de Costa reclamam que lideranças ligadas ao ex-prefeito não se empenharam na campanha para o governo. Numa disputa pouco amistosa com o peemedebista, o petista foi preterido na indicação como candidato ao governo. A definição do candidato em Minas acabou sendo imposta pelas cúpulas nacionais do PT e do PMDB, como parte do acordo que selou a aliança nacional das siglas.

 

Na campanha de Pimentel, as queixas são semelhantes. Aliados do ex-prefeito alegam que os peemedebistas e parte do PT também não se esforçaram pela candidatura ao Senado. "Exigir que um candidato ao Senado, que há dois anos não está num espaço público e que abriu mão de ser candidato ao governo por uma aliança nacional, carregue uma disputa estadual, é muito para a nossa candidatura", reclamou um petista próximo ao ex-prefeito. "Sempre avaliamos que a candidatura do Hélio era uma candidatura difícil, pesada, que poderia cair, como caiu no final."

 

O Estado não conseguiu contato ontem (28) com Patrus e Pimentel. O coordenador da campanha do ex-prefeito, deputado federal Miguel Correia Júnior (PT), disse que Patrus "tem todo o direito de fazer avaliação sobre o processo de 2008 e de 2010". "Mas o processo de 2010 não está encerrado. Significa que nós ainda acreditamos. O segundo aspecto é que nós não podemos ser responsabilizados por um modelo que inclusive já foi testado nas eleições", ressaltou, se referindo às duas derrotas de Costa na disputa pelo governo em 1990 e em 1994.

 

Após um encontro com religiosos, Costa procurou por panos quentes na polêmica. "Nós, do PMDB e do PT, nunca nos sentimos tão próximos em todas as regiões do Estado, principalmente em Belo Horizonte. Vamos com força e garra votar no próximo domingo."

 

De acordo com a última pesquisa Ibope divulgada na segunda-feira, Costa está 13 pontos porcentuais atrás do tucano, que venceria no primeiro turno. Na disputa pela segunda cadeira no Senado - levando-se em conta que Aécio está praticamente eleito, pois lidera com 69% das intenções de voto - Pimentel (29%) está 15 pontos porcentuais atrás de Itamar Franco (PPS), que aparece com 44% dos votos totais.

 

Na reta final, a campanha na TV da ampla coligação liderada pelo PSDB tem reservado significativo espaço para Itamar, sempre numa dobradinha com o ex-governador. O ex-prefeito petista, por sua vez, recorreu a uma nova gravação de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na qual Pimentel chega a se emocionar.

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