LEONENCIO NOSSA/ESTADAO
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Em mês de romaria, público menor e comércio fechado

JUAZEIRO DO NORTE (CE)- Os organizadores da Romaria de Nossa Senhora das Dores, que reúne devotos de Padre Cícero, estimavam um público de cerca de 600 mil pessoas entre os dias 1o e 15 deste mês. A prefeitura calculou que metade esteve na cidade. O comércio contabilizou, nas últimas três semanas, 55 lojas fechadas. A redução do número de estabelecimentos e de devotos ocorreu, na avaliação de comerciantes, por três fatores: a crise financeira, a seca prolongada e o controle cada vez mais rigoroso em relação ao transporte de romeiros em paus de arara, nas rodovias federais de acesso a Juazeiro.

Leonencio Nossa-Enviado especial, O Estado de S. Paulo

21 de setembro de 2015 | 03h00

O sertão que enfrenta a atual crise econômica não é o mesmo de décadas passadas. Os devotos são agricultores de sítios com antenas parabólicas e energia ou de bairros de periferias de médias e grandes cidades do Ceará, Pernambuco, Piauí, Bahia e Alagoas, principalmente, inseridos na economia. As hospedarias provisórias montadas no passado por beatos deram lugar a pequenas pousadas de preços baixos. Os mutirões de farinha e carne seca que alimentavam a multidão de fiéis foram trocados por restaurantes.

As mudanças também ocorreram no transporte dos romeiros. Vans, micro-ônibus e ônibus vão, aos poucos, dominando o mercado. Em tempo de crise, porém, muitos devotos só conseguem chegar a Juazeiro em pau de arara, uma viagem geralmente gratuita – caminhoneiros transportam romeiros sem cobrar, em homenagem a Padre Cícero.

Esse transporte continua apenas nas estradas estaduais ou de terra, sem o controle da Polícia Rodoviária Federal. “Foi difícil juntar dinheiro para pagar a minha passagem e dos meus três netos”, disse a diarista Maria Lúcia dos Santos, 42 anos, de Maceió. “Neste mês, perdi uma das três clientes que eu tinha. Meu orçamento caiu R$ 200.”

Raimundo Donato da Silva, 68 anos, foi um dos migrantes do êxodo dos anos 1970. Trabalhou anos em montadoras no ABC, em São Paulo, até voltar a Juazeiro em 1986 par abrir um bar. “No outro tempo, a seca obrigava todo mundo ir embora. Hoje não, com esses benefícios do governo, o pessoal fica pelo sertão.”

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