Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Em menos de seis meses, Rabello de Castro acumula polêmicas à frente do BNDES

Presidente do banco é pré-candidato à Presidência em 2018 e pode deixar comando da estatal

O Estado de S.Paulo

19 Novembro 2017 | 23h30

Em menos de seis meses na presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), principal instrumento do governo para financiar empreendimentos públicos e privados no País, o economista Paulo Rabello de Castro acumula uma série de polêmicas. Todas elas acompanhadas de frases de efeito que, por vezes, parecem vir de um opositor do governo e não de um de seus integrantes.

“O BNDES não tem tanto cheque para passar para a viúva”, disse, em outubro, questionando uma determinação da equipe econômica para que o banco prepare novas devoluções de recursos ao Tesouro em 2018, de R$ 130 bilhões. De 2009 a 2015 o Tesouro repassou ao banco de fomento mais de R$ 500 bilhões, em empréstimos de longo prazo. Agora, o governo quer antecipar os pagamentos para ajudar as fechar as contas da União.

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Escolha pessoal do presidente Michel Temer, antes de assumir o BNDES Rabello de Castro presidiu por 11 meses o IBGE. Ao deixar o cargo disse que “não gostaria de sair do IBGE, a não ser por efeito de uma missão”. No banco, já no mês seguinte à sua posse, iniciou uma cruzada contra a mudança na fórmula para a taxa de juros de longo prazo cobrada nos empréstimos feitos pela instituição. Mesmo com muita resistência de Rabello de Castro, a taxa foi mudada.

Depois, veio a questão da devolução de recursos. Na época, representantes da área econômica atribuíram as declarações do economista ao fato de estar “em campanha” para as eleições de 2018. Já eram fortes os rumores de que ele teria a intenção de ser candidato.

Sinal nessa direção seria a filiação de Rabello ao PSC, mas ele afirmou que o ato indica apenas um “movimento proativo”. “Sou candidato a fazer o melhor possível no BNDES”, disse. As resistências ao economista, antes restritas a parlamentares da base aliada, passaram a ser compartilhadas pela área econômica do governo.

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