Em meio a protestos, Unesp encerra votação do plano de expansão

Um grande aparato policial garantiu hoje a realização, em Araçatuba, a 545 quilômetros de São Paulo, da reunião do conselho da Universidade Estadual Paulista (Unesp), para a votação de um plano de expansão que prevê a criação de oito novos campi a partir de 2003. A votação era para ter acontecido no último dia 14 em São Paulo, mas na ocasião estudantes contrários ao plano de expansão invadiram a sede da reitoria, causando danos no prédio e ferimentos em funcionários da Unesp.A reunião de hoje, que não havia sido concluída até às 19h, aconteceu no prédio da Faculdade de Odontologia de Araçatuba. O local já vinha sendo vigiado pela Polícia Militar desde a noite do dia anterior e amanheceu cercado por mais de 50 homens, inclusive da tropa de choque. O esquema de segurança também envolveu vigilantes da própria Unesp e guardas municipais. Ruas próximas da faculdade foram interditadas.Apesar do aparato, cerca de 400 estudantes vindos de várias regiões do Estado passaram o dia gritando palavras de protesto e ofensas ao reitor da Unesp, José Eduardo de Souza Trindade, que foi xingado de "safado", "picareta" e "fascista". O protesto só acabou por volta de 17h, quando uma chuva forte dispersou os estudantes, fazendo a maioria voltar para suas cidades.RepressãoA estratégia dos manifestantes era tentar impedir a entrada de professores e diretores da Unesp que chegavam para a reunião do conselho da universidade. Mas a Polícia Militar, usando cassetetes e cães, afastou os estudantes que se colocavam diante dos portões. Na entrada principal, a PM chegou a lançar spray de pimenta sobre alguns manifestantes que resistiram à ordem para desbloquear o local.No período da manhã, o reitor aceitou receber uma comissão de cinco alunos, mas não atendeu o pedido para que a reunião do conselho fosse suspensa. Um dos líderes da manifestação, Luiz Carlos Postiglione, disse que os estudantes são contrários ao plano da Unesp de implantar novos campi no interior, em parceria com prefeituras, porque temem a queda na qualidade dos cursos já existentes."No ano passado, criaram 14 cursos novos, que estão funcionando muito precariamente", disse Postiglione, que é aluno do curso de Educação Física de Rio Claro e candidato a deputado estadual pelo PSTU. "Queremos que os R$ 30 milhões previstos para os novos campi sejam investidos na melhoria dos cursos recém-criados", afirmou.

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