Em meio à crise hídrica, ex-presidente da ANA assume a Sabesp

Jerson Kelman irá substituir Dilma Pena que sai desgastada após seca em São Paulo

Igor Gadelha e Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

01 de janeiro de 2015 | 13h54

Recém empossado secretário de saneamento e recursos hídricos do Estado, Benedito Braga anunciou que o novo presidente da Sabesp será Jerson Kelman, ex-presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), da Aneel e da Light. O nome dele deve ser confirmado pelo Conselho de Administração da Sabesp neste mês. Ele vai substituir Dilma Pena, que deixou o cargo desgastada pela crise hídrica no Estado. 


Braga também anunciou Ricardo Borsari como novo superintendente do Departamento de Águas e Energia Elétrica de São Paulo (Daee) no lugar de Alceu Segamarchi.

Em entrevista à imprensa após cerimônia de posse do novo secretariado do governador Geraldo Alckmin (PSDB), no Palácio dos Bandeirantes, Braga afirmou também que, se em até dois meses o aumento de até 50% na conta para o consumidor que não economizar água não surtir efeito, o governo tomará "medidas de maior incentivo" à economia, o que poderá incluir a criação de mais escalas de pagamento e elevação da porcentagem de aumento da conta. 

"Vamos ver como é que essa opção reage, porque, no fundo, não estamos querendo aumentar tarifa, queremos reduzir o consumo. Então, vamos observar o processo durante um mês ou dois a partir da implementação (prevista para hoje), e a partir dessa observação, tomar medidas mais, digamos, de maior incentivo", afirmou. Segundo Braga, essa é uma das medidas de "curtíssimo prazo" que o governo paulista vem tomando para evitar o esvaziamento total dos mananciais que abastecem o Estado. 

"Vamos focar na economia de água, para, através dela, dar mais chances para as chuvas que vão vir no período do verão", afirmou. Ele evitou comentar a decisão da Sabesp de isentar empresas com contrato fixo dessa porcentagem adicional. "Ainda vou estudar isso", disse. Outra medida, já em andamento, destacou, é o reúso de água. De acordo com o novo secretário, o Estado tem tecnologia suficiente para aumentar a capacidade dos reservatórios por meio do reúso. 

O novo secretário garantiu ainda que "neste momento, não estamos falando de corte de água". Ele defendeu a redução da pressão, segundo ele, "uma medida usada no mundo inteiro". Questionado pela imprensa sobre a intensificação dessa medida, ele disse que vai "verificar esse assunto a partir de conversas com o novo presidente da Sabesp". Braga informou também que outros nomes de diretores da Sabesp só serão discutidos com o novo presidente da companhia. 

O secretário anunciou ainda que o governo estuda uma "solução definitiva" baseada em duas alternativas "já estudadas": as represas de Jurumirim e Juquiá. "Vamos ver qual das duas vai ser aquela em que o governo vai investir para solução de longo prazo", afirmou. 


Histórico. Após a seca que fez com que os reservatórios de água em São Paulo atingisse níveis críticos, algumas regiões da capital do Estado sofreram com cortes no fornecimento. Apesar da crise, o governador Geraldo Alckmin negou a necessidade de racionamento e adotou bônus para consumidores que reduzirem o consumo. 

Para driblar a falta de chuvas, o governo paulista anunciou uma série de obras de infraestrutura que têm como objetivo melhorar o sistema de captação da Sabesp. Outra medida que será tomada para 2015 é a multa para os chamados 'gastões, consumidores que aumentarem a quantidade de água usada por mês.

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