Divulgação/ MST
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Em meio a crise, Dilma visitará assentamentos sem-terra no RS

Após Lula convocar 'exército' de João Pedro Stédile em defesa do governo, presidente aproveitará viagem ao Rio Grande do Sul nesta sexta-feira para ampliar contato com as bases tradicionais do PT

Lisandra Paraguassú, O Estado de S. Paulo

19 de março de 2015 | 22h05

Brasília - Acuada por manifestações e com um recorde negativo de popularidade, a presidente Dilma Rousseff começa a se reaproximar das tradicionais bases sociais do PT. Nesta sexta-feira, 20, em visita ao Rio Grande do Sul, Dilma irá dobrar a atenção dada ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) em quatro anos e três meses de mandato: visitará dois assentamentos, o mesmo número de visitas feitas em todo o seu primeiro mandato. 

A atenção não é à toa. Depois da declaração do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que João Pedro Stédile, um dos líderes do MST, "iria por seu exército na rua" em defesa do governo, o movimento, junto com a Central Única dos Trabalhadores (CUT), foi uma das bases centrais das manifestações de 13 de março em favor do governo. Mesmo críticos às ações de Dilma, os movimentos sociais encaram o governo do PT como uma das únicas alternativas viáveis de obter ganhos sociais. 

"O governo não cumpriu a pauta com os movimentos, isso é certo, e ela não foi esquecida. Possivelmente vai haver reivindicações. Mas o único governo que pode cumpri-la é o da presidente Dilma", afirma Ary Vanazzi, presidente do PT no Rio Grande do Sul. "Nesse momento a sociedade brasileira tem uma disputa clara, é um momento em que a luta de classes se acentua, então é muito necessário restabelecer esse diálogo, porque o projeto adversário, do PSDB, do DEM, é totalmente contrário politica, econômica e ideologicamente".


Nos últimos anos, o governo de Dilma Rousseff manteve distância de boa parte dos movimentos sociais, em especial o MST. Nas duas visitas anteriores - no Paraná, em fevereiro de 2012, onde inaugurou uma unidade de beneficiamento de leite, e no Piauí, em janeiro de 2013, quando assinou o início das obras de um sistema de irrigação -, a atenção foi menos ao movimento e mais à ideia defendida por seu governo de que era preciso investir para melhorar os assentamentos existentes.

Em todo seu primeiro mandato, a presidente recebeu os líderes do MST apenas uma vez, em uma audiência curta, em 13 de fevereiro de 2014. As conversas com o movimento eram relegadas ao então Secretário-Geral da Presidência Gilberto Carvalho.

De um modo geral, a relação era conflituosa. Ainda antes de ser eleita, a então ministra da Casa Civil fez uma crítica velada a Lula, dizendo que não poria boné de movimentos sociais porque "movimento é movimento e governo é governo". Ainda assim, em 2010, durante sua primeira campanha presidencial, usou o boné vermelho do MST.

O movimento acusa o governo Dilma de ter sido o "pior da história" para a reformar agrária e ter sido o que menos assentou. Hoje, de acordo com os cálculos do MST - não confirmados pelo governo - existiria cerca de 180 mil pessoas aguardando terras. Dilma nunca escondeu que a reforma agrária tradicional não era do seu agrado e sua ênfase seria de tornar os assentamentos existentes autossuficientes. A política, somada ao crescimento do Bolsa Família, que fez candidatos a terras voltarem para a cidade, enfraqueceu o movimento.

Na hora da necessidade, no entanto, Dilma se volta para os movimentos que sempre fizeram a base do PT. Hoje, fará a colheira simbólica do arroz orgânico, plantado no assentamento Integração Gaúcha, em Eldorado do Sul, e depois fará a inauguração de um silo de secagem e armazenamento na cooperativa do assentamento Lanceiros Negros. De acordo com Vanazzi, membros da CUT também se organizam para ir ao encontro da presidente. 

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