Em manobra para livrar Renan, caso volta à Mesa do Senado

Agencia Estado

03 de julho de 2007 | 14h47

O senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO), presidente do Conselho de Ética do Senado, enviou à Mesa Diretora da Casa o processo por quebra de decoro contra Renan Calheiros (PMDB-AL), mais de um mês após sua abertura. Até o momento, o caso não foi votado pelo Conselho. A medida é uma manobra para tentar arquivar o caso, que, na prática, volta à estaca zero. Com base na interpretação jurídica de que a representação do PSOL não deveria ter sido enviada ao conselho por uma decisão isolada do próprio Renan, o processo é remetido novamente para a Mesa Diretora, presidida pelo próprio senador, que irá analisar o caso e tomar ou não a iniciativa de encaminhar o pedido novamente ao Conselho de Ética. Outro argumento usado por Quintanilha é a de que o conselho aprovou solicitação de diligências à Polícia Federal sobre o caso Renan, e essa solicitação só pode ser feita pela Mesa Diretora. Segundo ele, esses dois fatos constituem "vícios" do processo. Após a decisão, o líder do governo no Senado, senador Romero Jucá (PMDB-RO), conversou com Renan e disse que não sabe quando a Mesa vai se reunir para apreciar a representação enviada nesta segunda-feira por Quintanilha. Já o Conselho de Ética tem reunião marcada nesta terça-feira para discutir o caso.O líder do DEM (ex-PFL), senador José Agripino (RN), anunciou que vai recorrer ao conselho contra a decisão de reenvio do caso à Mesa. Agripino disse que o órgão da Casa não pode ser "prisioneiro de arbitrariedade". A atitude de Quintanilha, segundo o senador do DEM, "está com cheio de mais uma armação jurídica para procrastinar o processo."Compõem a Mesa, além de Renan, os senadores Tião Viana (PT-AC). Papaléo Paes (PSDB-AP), Efraim Morais (DEM-PB), Gerson Camata (PMDB-ES), Cesar Borges (DEM-BA) e Magno Malta (PR-ES).Renan é alvo de investigação no conselho por suspeita de que teve despesas pessoais pagas pelo lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior. Os R$ 12 mil reais mensais eram entregues à jornalista Mônica Veloso, com quem o senador tem uma filha fora do casamento.(Com Reuters)Texto ampliado às 19h10

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