Reprodução Twitter PSDB Nacional
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Em manifesto, PSDB critica governos que atentam contra democracia

Em congresso, partido reforça distância do Planalto, repudia ataques a instituições. encontro colocou Doria e Leite no centro de disputa interna por 2022

Camila Turtelli e Idiana Tomazelli, O Estado de S.Paulo

07 de dezembro de 2019 | 16h37

BRASÍLIA - Sem citar diretamente o presidente Jair Bolsonaro, o PSDB aproveitou seu congresso, ontem, para reforçar seu distanciamento do Palácio do Planalto. Críticas a atitudes consideradas autoritárias, negação à pauta de costumes e repúdio a “governos que investem contra instituições” sinalizaram a posição do partido, que prepara o tom do discurso para a corrida à Presidência da República em 2022 e já vive uma disputa interna para definir o candidato tucano.

A estratégia mira a recuperação de parte do eleitorado que abandonou a sigla e abraçou a campanha de Bolsonaro ano passado. Mas até a próxima campanha, o governador de São Paulo, João Doria, então o único nome cotado no partido para a disputa, pode ter de enfrentar um concorrente interno: o governador gaúcho Eduardo Leite, recentemente elogiado como exemplo de “renovação política” pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que não compareceu ao congresso.


Durante o evento, as lideranças do PSDB procuraram passar a impressão de união. Doria e Leite tentaram afastar rumores sobre a disputa entre os tucanos mirando 2022, trocaram afagos e posaram para fotos.

O aceno inicial partiu de Leite, que foi o primeiro dos governadores chamados ao palco e subiu sob gritos de “Eduardo 2022” por parte da plateia. Ao comentar as eleições para presidente, cumprimentou Doria. Os dois apertaram as mãos e deram um abraço. “Um grande parceiro”, disse o gaúcho. “A gente está junto pelo Brasil. Não tem disputa nenhuma.”

Em seguida, Doria discursou ao público sob gritos de “Brasil pra frente com Doria presidente” e defendeu uma parceria com Leite em “ideias e princípios” em nome de um projeto para o País.

Em entrevista exclusiva ao Broadcast Político, o tucano evitou falar sobre uma possível disputa interna com Leite, mas deixou claro que defende as prévias. “Temos de defender o princípio e não os nomes”, disse.

Sem a presença de algumas das principais estrelas do partido, Doria e Leite acabaram dividindo os holofotes. Embora ausente, FHC estampou camisetas que eram vendidas com o seu rosto por R$ 45. Também não compareceram o ex-governador de São Paulo e candidato derrotado à Presidência em 2018 Geraldo Alckmin e o deputado Aécio Neves (MG), que enfrentou neste ano um pedido de expulsão no conselho de ética, mas acabou salvo.

Doria negou que o partido esteja fazendo uma guinada à direita. “Entendemos que o campo liberal é o campo que pode mudar o Brasil, na geração de empregos e oportunidades”, afirmou. “Extremo não vai conduzir o Brasil a nenhum campo. Não há endireitamento do PSDB”, afirmou.

Os posicionamentos da sigla foram expressos em um manifesto, com o título “Acima de tudo, democracia”, que remete ao slogan da campanha de Bolsonaro no ano passado (“Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”). O documento também faz críticas. “Sempre que o governo, qualquer governo, investe contra as instituições, age com desrespeito e intolerância, ameaça a nossa democracia, as liberdades, adota iniciativas e atitudes autoritárias e anticivilizatórias, o PSDB esteve, está e estará do lado diametralmente oposto”.”, afirma o documento.

O partido diz ainda que não irá admitir qualquer tentativa de retorno “aos tempos sombrios do autoritarismo”.

Os tucanos também tentaram consolidar uma mudança programática, com diretrizes baseadas em consulta feita pela internet com sua militância. Algumas dessas bases apresentadas no evento foram a manutenção do programa Bolsa Família, como uma política de Estado inscrita na Constituição, apoio às privatizações e adoção do voto distrital.

O presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo, disse não abrir mão de candidato próprio para a próxima eleição presidencial e avisou que vai lutar para retomar protagonismo no campo de centro da política.

Araújo citou Doria como exemplo de “força” dentro do partido, mas não deixou de mencionar que o PSDB tem quadros importantes. “O PSDB continua sendo um partido com alternativas, com a força do governador João Doria, com quadros importantes. O PSDB está vivo e o Congresso mostra que sua base movimenta partido como um todo”, afirmou.

O presidente do partido disse ainda que o PSDB “não busca extremos”. Segundo Araújo, há muitos “se” até a eleição de 2022, mas assegurou que é possível contar com uma candidatura própria do partido ao Planalto.

Líder da bancada

A disputa pela liderança tucana na Câmara segue indefinida. O atual líder, deputado Carlos Sampaio (SP), convocou reunião para terça-feira para eleger seu substituto, mas a decisão corre o risco de ser adiada mais uma vez. A bancada está dividida entre os deputados Celso Sabino (PA) e Beto Pereira (MS).

Cada um deles acredita ter metade dos votos (16), por isso, alguns deputados devem recorrer ao estatuto da legenda para adiar a eleição para o dia 18, que antecede o recesso parlamentar, para trabalhar com uma bancada em tamanho ímpar. Nesta semana, o deputado licenciado Guilherme Mussi (PP-SP) deve reassumir sua cadeira, atualmente ocupada por Miguel Haddad (PSDB-SP).

Com isso, a bancada tucana cairia de 32 para 31 deputados, o que afastaria as chances de um empate. A maior parte da bancada paulista sinaliza apoio a Pereira.

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