Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Em Madri, Moro diz não ver 'risco de autoritarismo' em Bolsonaro

Ex-juiz da Lava Jato afirmou que aceitou o convite para comandar a Justiça no futuro governo para dar 'resposta institucional' à corrupção, para além dos tribunais

O Estado de S.Paulo

03 Dezembro 2018 | 16h42

O ex-juiz federal da Lava Jato e futuro ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, esteve em um evento em Madri, nesta segunda-feira, 3, onde disse não ver "risco de autoritarismo" no presidente eleito, Jair Bolsonaro.

"Não vislumbro no presidente eleito um risco de autoritarismo ou risco à democracia", disse, ao lado do vencedor do Nobel de Literatura, Mario Vargas Llosa. Moro participou de um seminário promovido pela Fundação Internacional para a Liberdade, presidida pelo escritor. O futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, também participaria do evento, mas cancelou a viagem por motivos de saúde, segundo sua assessoria.

O ex-juiz federal minimizou ainda as declarações do presidente eleito durante a campanha eleitoral, consideradas racistas, homofóbicas e misóginas. "As pessoas às vezes dão declarações infelizes (...), isso não significa que se traduziriam em políticas públicas concretas e não há nada que indique que adotará políticas discriminatórias contra as minorias no Brasil", disse, completando que "jamais" participaria de um governo se visse risco de discriminação.

Vargas Llosa disse para a plateia, em Madri, que Bolsonaro é considerado um homem de extrema direita e até fascista. Mas disse que tende a "desconfiar" dessas etiquetas. Em tom elogioso a Moro, disse ainda que ele é um "exemplo da revolução silenciosa" dos brasileiros na luta contra a corrupção institucionalizada no País.

O ex-juiz da Lava Jato relacionou a eleição do deputado federal do PSL para o Planalto com a indignação da sociedade com a "corrupção sistêmica" descoberta nos últimos anos.

Moro, que chegou a dizer, em entrevista ao Estado, que "jamais" entraria para a política, afirmou que aceitou o convite para ocupar a pasta porque "faz falta" dar uma "resposta institucional" para além dos tribunais a problemas como a corrupção, o crime organizado e a violência. O ex-magistrado defendeu ainda um endurecimento das leis no País. / COM INFORMAÇÕES DA AFP E DA EFE

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